Caminhoneiros convocam ‘greve Lorenzoni’ para o dia 29; medo do governo dá coragem à categoria; “Estão molhando lenha seca na gasolina e jogando na fogueira”, diz Dedeco

BR: O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, recebe o líder caminhoneiro ‘Chorão’ no Palácio do Planalto, mas bloqueou o também caminhoneiro ‘Dedeco’, como é conhecido Wanderlei Alvez, de seu WhatsApp. Por isso, e pela ‘trava’, seguida de recuo e ajuste de 4,8% no preço do óleo diesel, pela Petrobras, na semana passada, a parcela da categoria que segue a liderança de Dedeco está em pé de guerra. Uma greve está convocada para o dia 29 deste mês, em sinal de rompimento da confiança desses profissionais no governo de Jair Bolsonaro. A partir de agora, tudo pode acontecer. Será a ‘greve Lorenzoni’.

Segundo o portal Congresso em Foco, Dedeco está certo de que a greve vai ocorrer – e não será pequena. Ele diz que o governo negocia com os moderados, mas que, por não ser recebido, sua turma foi, na prática, chamada de radical. A química para a combustão está feita.

“Recebi ligações da cidade de um deles que tem ido lá conversar com o governo dizendo pra eu tocar o barco, que estão comigo. Os estados do Norte, do Nordeste também dizem que vão parar. O governo recebe a ala que eles chamam de moderada no Palácio do Planalto, e o movimento que eu represento só cresce. Está molhando a lenha seca na gasolina e jogando na fogueira”, afirmou Dedeco, cuja base é Curitiba e que foi, ao lado de vários apoiadores, um dos mobilizadores da paralisação do ano passado.

O representante da classe conta que tinha conversas recorrentes com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, na época que ele deputado federal, mas foi recentemente bloqueado no WahtsApp por ele, após criticar as medidas anunciadas pelo Planalto. Procurado via assessoria de imprensa, o ministro preferiu não se pronunciar a respeito.

Em decorrência desse distanciamento, Dedeco decidiu batizar a paralisação do próximo dia 29 de “Lorenzoni”.

Na quarta (17), Onyx anunciou, em coletiva à imprensa, a abertura de uma linha de crédito no valor de R$ 500 milhões para caminhoneiros autônomos manterem seus veículos. A medida é parte dos acordos delineados com as lideranças com as quais o Planalto tem conversado. Em seguida, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse que serão empregados R$ 2 bilhões no término de obras e manutenção de rodovias.

“Esses R$ 30 mil que eles liberaram por caminhoneiro até que é uma boa medida. Mas veja bem… A maior parte da categoria está com o nome no Serasa. Vai ter condições de pegar o crédito? E pegar até alguns conseguem. Mas eu mesmo não ia conseguir pagar”, ponderou Dedeco que completou: “Obra em rodovia? Isso é obrigação do governo. Colocar isso em pacote de benefício pra dizer que conquistou um tapa buracos é um absurdo. Com R$ 2 bilhões não termina nem a duplicação da R$ 381, que é uma das mais perigosas do país.”

Para a próxima semana, o governo chamou uma nova rodada de conversas com a classe. Na avaliação de Dedeco, narra o Congresso em Foco, os pontos negociados estão errados. “As grandes questões são o tabelamento do frete e o preço do combustível”.

Com 90 grupos no WhatsApp, cada um com mais de 150 integrantes, cada um deles com outros grupos também por trás, Dedeco acredita que, se nada mudar na próxima semana na forma como o governo tratar de fato os caminhoneiros autônomos, o país voltará a parar no fim de abril.
“Todo dia amanhecemos, abrimos grupos, e vemos uma nova notícia de negociações do governo com lideranças que não somos nós, os reais caminhoneiros. Parece que é de propósito, cutucando”, encerrou.