A herdeiros de grandes empresa, FHC insiste na tese da queda de Bolsonaro: “Se o cavaleiro não souber montar, leva o pinote e cai”

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu na noite da segunda-feira 25, em São Paulo, uma aula-palestra para herdeiros de grandes empresas e fortunas. Uma turma que frequente o curso Legado para a Juventude Brasileira, existente desde 2014. Seu objetivo é fazer com que nomes ilustres da sociedade, em todas as áreas, transmitam seus conhecimentos os potenciais sucessores no comando dos maiores empreendimentos do País.

Em sua palestra, FHC foi instado por perguntas a falar sobre o desempenho do presidente Jair Bolsonaro à frente do Palácio do Planalto – e o que mais fez foram comparações apontando para os riscos que os presidente correm de não terminarem seus mandatos.

“Vou fazer uma comparação grosseira”, disse o tucano quando questionado sobre a atual relação de Bolsonaro com o Congresso, repleta de atritos. “é o cavalo e o cavaleiro. No começo, o Congresso fica testando, para ver se o cavaleiro, o presidente, o governo, tem capacidade de andar a cavalo. Se não tiver, ele vai derrubar, ele dá um pinote”, afirmou.

Sobre a reforma da Previdência, o ex-presidente previu um desastre econômico em caso de não aprovação da PEC apresentada pelo governo: “Agora o Bolsonaro vai ter de fazer [a reforma]. Se não tiver maioria, não faz reforma. Se não fizer reforma da Previdência, não tem dinheiro. E o mercado é o mercado. O mercado é cruel”, disse FHC.

Em outro momento, o presidente de honra do PSDB, que hoje não faz questão de ostentar esse título, discorreu sobre a importância de um presidente negociar com os políticos.

“Conversei sobre isso com o Clinton. Nos Estados Unidos, quando tinha uma votação importante, ele ficava o tempo inteiro pendurado ao telefone. Falando com cada deputado. E mais. Nos Estados Unidos tem um momento em que para a votação para que haja a negociação, e é aí que o presidente pressiona”, lembrou. FHC enfatizou que, se o presidente Jair Bolsonaro quer fazer uma reforma da Previdência, precisa assumir o comando dela, mesmo que para isso seja necessário se desgastar. “Precisa ter capacidade de fazer coalizão, de ter apoio. Precisa de acordos. A política é isso. Aqui criamos um horror à política, como se todos os acordos fossem espúrios. Espúrio é se tem dinheiro no meio, quando não é para o bem do país. Tirando isso, tem de fazer acordo. Como governa sem maioria? Não governa, cai.”