Voz influente no Congresso, Jereissati chama prisão de Temer de “abuso de autoridade”; crise institucional ganha contornos mais fortes

BR: A julgar pela primeira reação de peso, dentro do Congresso, à prisão do ex-presidente Michel Temer, há um agravamento da crise entre poderes. O senador Tasso Jereissati, do PSDB e um dos políticos mais influentes nos bastidores do Legislativo, classificou a prisão como “abuso de autoridade”, desconhecendo inteiramente o direito do juiz Marcelo Bretas em decretá-la. “Eu vejo com preocupação. Eu posso falar porque sempre fui oposição ao Temer, mas ele não está fugindo que eu saiba. Ele tem endereço conhecido. Acho que isso é um processo de abuso de autoridade que está acontecendo com alguma frequência”, completou o senador. Ele faz parte do grupo criado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para acompanhar a tramitação da reforma da Previdência na Câmara.

O cientista político Alberto Almeida registrou, via Twitter, que “a prisão de Temer dificultará ainda mais a vido do governo Bolsonaro na Câmara”. Para o observador, “os deputados do MDB e de vários outros partidos” passaram a ficar preocupados com a capacidade do ministro Sergio Moro, da Justiça, “de deter fatos assim”. O sentimento anti-Moro já havia sido manifestado, na véspera, pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Em 2017, a reforma da Previdência estava em plena tramitação na Câmara, com previsões otimistas de aprovação ainda no primeiro semestre. A explosão dos áudios entre uma conversa de Temer, então presidente, e o empresário Joesley Batista acabaram, de uma hora para outra, com todo o clima favorável e nunca mais, na gestão Temer, falou-se em Previdência outra vez. Uma repetição da história, com o mesmo personagem, mas em outra posição, pode estar em curso.