Sócios saem e André Esteves assume poder autoritário no BTG Pactual

Um dos mais conhecidos bancos de investimentos do País, o BTG Pactual está de novo sendo comandado por um homem só. É André Esteves, que, sem opositores, volta a estar por trás dos lances mais ousados do banco nos últimos tempos. Quem conta os bastidores da luta interna vencida por ele dentro da instituição é reportagem do jornal Valor Econômico desta terça-feira 12.

A saída de mais um sócio importante do banco, José Zitelmann, oficializada ontem, é a mais recente de uma lista de nomes que deixaram a instituição desde que o banqueiro retornou ao banco, em abril de 2016, como consultor sênior. Na esteira de sua prisão, em dezembro de 2015, sob suspeita de tentar obstruir as investigações da Lava-Jato, Esteves foi afastado do bloco de controle. No ano passado, a pedido do próprio Ministério Público Federal, foi absolvido por falta de provas. Gustavo Hungria também deixará o banco.

Antes de Zitelmann, já haviam partido Pérsio Arida e James de Oliveira, no fim de 2016, e Marcelo Kalim, um ano depois. “Ficaram os sócios mais alinhados a ele”, diz um ex-sócio do banqueiro. “O banco é do Esteves”, diz um outro ex-sócio. Cada um dos que deixaram a instituição tinha novas empreitadas no radar, mas um histórico de desentendimentos internos também contribuiu – como as saídas de Arida e Kalim.

Dentro do banco, as saídas são minimizadas. “A saída do Zitelmann é um processo natural da partnership “, diz Allan Hadid, chefe de operações da gestora do banco. Quem está no banco admite ser muito difícil uma ideia ou vontade de Esteves não acontecer – ao menos, parcialmente. Sócios e funcionários que participaram do salvamento do BTG criaram novas expectativas: alguns não se sentiram gratificados; outros se ressentem da predominância de Esteves. É dele a concepção da forte aposta que o banco está fazendo no varejo, por meio do BTG Pactual Digital, a plataforma de investimentos que busca copiar o sucesso da XP Investimentos. O banco tem sido tão incisivo em sua movimentação que despertou a ira da XP, uma antiga parceira de negócios.

Dentro do banco, algumas áreas, como a de banco de investimento, respondem diretamente a Esteves, sem a participação do CEO Roberto Sallouti. Ele também retomou o leme da agenda pública – não escapou a ninguém sua presença na posse do ministro da Economia, Paulo Guedes, no dia 2 de janeiro.

Depois que voltou ao bloco de controle, em dezembro, passou a ter 39,7% das ações ordinárias e 29% do capital total da BTG Pactual Holding, veículo que controla o banco. Com isso, ele tem sozinho 35% do poder de voto sobre o banco propriamente. Paralelamente, a G7 Holding tem 57% do capital votante e 23% do total da BTG Pactual Holding.