Guedes vai de plano A para B e deste para C para salvar Previdência de R$ 1 tri; o problema é que saltos não estão empolgando

BR: As mudanças do ministro da Economia, Paulo Guedes, do seu plano A para o B e deste para o C não estão surtindo o efeito pretendido. Ele começou com a defesa enfática da reforma da Previdência (A), mas a tendência à desidratação verificada no Congresso levaram o ministro a jogar na mesa a ideia de entregar o Orçamento ao controle do Congresso (B). A isca, no entanto, não foi mordida com a voracidade que ele imaginava, o que está fazendo com que Guedes, agora, acene com uma reforma tributária (C) para obter os votos necessários para uma reforma da Previdência que renda uma economia de R$ 1 trilhão em dez anos. Com menos que isso, ele próprio diz que pode “sair rápido” da cena.

Por outro lado, com a realidade de um país que não cresce economicamente, Guedes vê a arrecadação patinar e, em consequência, já se fala num contingenciamento orçamentário de R$ 10 bilhões, a ser anunciado em breve.

O que está claro é que o fôlego financeiro do governo federal está acabando rapidamente, o que torna ainda mais dramática a aprovação o quanto antes da reforma da Previdência. O problema é que, como uma articulação política que ainda não parou em pé, e Guedes anunciando prioridades de última hora, o governo pode, simplesmente, não conseguir o que necessita.

A respeito da mudança de estratégia de Guedes, até aqui sem resultado prático, a jornalista Juliana Sofia publica neste sábado 16, na Folha de S. Paulo, artigo esclarecedor.

Acompanhe:

Exercício de redundância dizer que o governo Bolsonaro tem enfiado os pés pelas mãos, em tranches diárias, nos seus 75 dias de gestão. Até para um calouro no Palácio do Planalto, há excesso nos desacertos, recuos, gafes, omissões e demissões. Torna-se ameaçador, no entanto, quando a bússola desnorteada também serve à área econômica.

Antes do primeiro mesversário da reforma da Previdência, a ser completado na próxima quarta-feira (20),o ministro Paulo Guedes (Economia) apontou para outra direção. O que no seu discurso de posse fora tratado como plano B, no caso de insucesso nas mudanças das regras para aposentadorias, ganhou imediatismo. O economista passou a defender a tramitação simultânea da PEC previdenciária e de uma outra para desvincular o Orçamento.

A estratégia de Guedes mostrou-se equivocada. O “Posto Ipiranga” de Jair Bolsonaro ouviu críticas de governadores, parlamentares e especialistas em contas públicas. Foi obrigado a recuar em seus planos e tentou jogar para as mãos dos políticos a decisão sobre o timing da medida. O secretário especial de Previdência, Rogério Marinho, se antecipou ao ministro (a quem é subordinado) e declarou que a proposta de mexer no Orçamento não seria mais enviada ao Legislativo no curto prazo.

O ministro é neófito nas agruras de Brasília. Jogou a cenoura da PEC da desvinculação na tentativa de criar uma agenda positiva para políticos em meio à aridez da reforma da Previdência. Ruído desnecessário.

Diante do fracasso nesse front, o governo agora ensaia um plano C. De forma prematura, pretende abrir as discussões com o Congresso sobre a reformulação do sistema tributário, usando como ponto de partida o redesenho do PIS e da Cofins. A dispersão de energia não ajuda a aprovar a nova Previdência, demonstra falta de foco e desespero em acertar. Guedes usa a metáfora da queda de um avião para descrever o futuro do sistema de aposentadorias, sem a reforma. Biruta de aeroporto é termo que cai melhor à atual situação.