Vídeo: Bolsonaro desmarca reunião com chanceler da França para fazer live em que pergunta sobre se “não tinha ninguém para dar um tiro” em morador de rua

BR: O presidente Jair Bolsonaro cancelou de última hora uma reunião marcada para 15 horas com o chanceler da França, Jean-Yves Drya para, no horário seguinte, fazer uma live na qual abordou temas de sua preferência. Ele não fez nenhum comentário sobre a rebelião de presos em Altamira, no Pará, na qual 52 detentos foram assassinados, com 16 deles tendo sido decapitados.

Por outro lado, Bolsonaro comentou longamente o episódio em que um morador de rua, no Rio de Janeiro, esfaqueou duas pessoas. O presidente perguntou: “Não tinha ninguém para dar um tiro nele?”, para completar: “Mas tudo bem. Estava drogado? Viciado em drogas. Tem de buscar solução para as coisas, né?”

Na mesma live, Bolsonaro voltou a abordar o caso do desparecido político Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, pai de Felipe Santa Cruz, presidente da OAB. Segundo Bolsonaro, que resolveu explicar como Fernando foi morto, ele integrava uma “ramificação” do grupo em Recife e, ao ir ao encontro do grupo da Ação Popular no Rio de Janeiro, desapareceu. Segundo o presidente, a organização “resolveu sumir com o pai do presidente da OAB” por receio de ser descoberta. “Não foram os militares que mataram ele não”, disse.

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“De onde eu obtive essas informações? Com quem eu conversei na época, ora bolas. Conversava com muita gente, estive na fronteira, conversava e o pessoal da AP do Rio de Janeiro ficou… Primeiro, ficaram estupefatos, né. ‘Como é que pode? Esse cara vir do Recife se encontrar conosco aqui? O contato não seria com ele, seria com a cúpula da Ação Popular de Recife’. E eles resolveram sumir com o pai do Santa Cruz. Essa foi a informação que eu tive na época sobre esse episódio”, disse.

“Porque qual a tendência: ‘Se ele sabe, logo podemos ser descobertos’. Existia essa guerra naquele momento. E isso aconteceu, não foram os militares que mataram ele não, tá? É muito fácil culpar os militares por tudo que acontece”, completou.

Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, pai de Felipe, desapareceu em fevereiro de 1974, durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici, após ser preso por agentes do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna).

A Comissão da Verdade diz que Santa Cruz foi “preso e morto por agentes do Estado brasileiro”. Segundo a comissão, Santa Cruz “permanece desaparecido, sem que os seus restos mortais tenham sido entregues à sua família”.

O presidente disse ainda que ao falar sobre o assunto não quer “polemizar” ou “mexer com os sentimentos” do presidente da OAB, mas que está é a sua versão sobre a morte de seu pai.

“Eu acho que ele está equivocado em acreditar em uma versão apenas do fato, né. Mas ele tem todo o direito de me criticar e etc. Mas essa é a versão minha do contato que tive com quem participou ativamente, do nosso lado, naquele momento para evitar que o Brasil se transformasse numa Cuba”, afirmou.

“Ta aí, 1 testemunho meu, do que eu vi acontecendo naquele momento. Até porque ninguém duvida, todo mundo tem certeza, que havia justiçamentos das pessoas da própria esquerda quando desconfiavam de alguém, simplesmente executava”, acrescentou.