VEJA/FSB: Lula, com 29%, está mais forte do que Bolsonaro (32%) gostaria; Moro sobe e alcança o chefe em empate estatístico (36%); presidente é quem tem menos a comemorar

BR: Olhando para a esquerda, o presidente Jair Bolsonaro acaba de saber que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está bem mais forte do que ele achou que o inimigo estivesse. Na pesquisa eleitoral VEJA/FSB, divulgada hoje com a circulação da revista, os resultados apontaram um surpreendente empate técnico entre o capitão da reserva e o ex-metalúrgico, com respectivamente 32% e 29% de intenções de voto cada um.

O esperado seria uma vantagem, ainda que ligeira, mas fora da margem de erro, a favor de Bolsonaro. Só que não. O levantamento foi feito nesta semana, pelo telefone, quando todos já haviam sido atingidos pelo discurso de guerra e ódio (a Bolsonaro e ao ministro Sergio Moro), e não de paz e amor, proclamado por Lula depois de sair da prisão. Em Brasília, articulistas já se adiantavam em apontar que o líder petista está solto mas não pode sair às ruas, porque seria hostilizado. De fato, a julgar pelo comportamento de passageiros de avião e frequentadores de restaurantes caros, Lula teria sim seus problemas. Mas nos 26 estados e no DF, entre as 2 000 pessoas que formaram uma base tecnicamente aceita como representativa do todo nacional, ele não passou perrengue. Ao contrário.

Mesmo açoitado continuadamente pela mídia tradicional em seus 580 dias de cárcere, vítima de agressões grosseiras nas redes sociais e com um discurso que até seus

, Lula saiu inteiro. Hoje sem condição de ser candidato, segue como maior cabo eleitoral do País. Intrigante, neste sentido, o levantamento não ter incluído, ou talvez apenas não ter divulgado, o nome do ex-prefeito Fernando Haddad em seu lugar. O teste recall 2018+capacidade de transferência de Lula fica para depois.

No cenário com Sergio Moro no lugar de Bolsonaro, Lula também marcou 29%, enquanto o ex-juiz igualou o desempenho do presidente e ficou com 32%. Novo fôlego e tanto demonstrado pelo líder petista, outra vez em empate técnico.

Quando tira os olhos da esquerda e mira no espelho à sua frente que a pesquisa oferece, com a imagem do seu igual ideológico Moro refletida, Bolsonaro também não enxerga nenhum motivo para sorrir. Em nítida ascensão nos levantamentos de opinião, o ex-juiz alcança o presidente em cenário de primeiro turno, no qual um concorre contra o outro, e atinge os mesmos 36% do adversário. Um empate estatístico, impressionante. No levantamento anterior, dois meses atrás, Moro aparecia com 29% das menções.

O presidente andou desautorizando os comentários de que já tem como certa a chapa Bolsonaro-Moro para 2022. Prudente. O ministro da Justiça, que levou várias tamancadas do seu chefe meses atrás, quando ambos chegaram próximos do rompimento, está com agenda de candidato a presidente. Veja mesmo noticiou em detalhes suas andanças. Uma definição sobre compor com Bolsonaro ou disputar contra ele, mesmo que viesse a ser feita agora, de pouco valeria frente a novos levantamentos que confirmem ou ao menos consolidem a ascensão do ex-juiz. Não há negócio político-eleitoral a ser fechado agora entre Bolsonaro e Moro. E quem não tem motivos para não querer isso é o subordinado.

O centro representado por Luciano Huck, mais a direita que não gosta, com o governador João Doria e o presidente do Novo, João Amoêdo, perdem para o centro-esquerdista (e para muitos, divisionista) Ciro Gomes, que por sua vez ficou abaixo do contingente dos que ‘não sabem’ em que votar. Um desempenho mais incapaz de preocupar todo o lote do que dar-lhe estímulo.

Quanto a Bolsonaro, dizer que não liga para pesquisas, como tem feito, e passar a ficar com os dois olhos bem abertos, um no Lula, outro no Moro, é o que ele tem de melhor a fazer depois dessa. Entre os três personagens dominantes do levantamento, o presidente é quem tem menos a comemorar. (Marco Damiani)