Valdo Cruz: pacto será aceito por políticos, mas sucesso depende de comportamento de Bolsonaro

Valdo Cruz, do G1 e GloboNews

Depois dos protestos pró-governo no domingo (26), o presidente Jair Bolsonaro conseguiu mostrar força, não na dimensão desejada por sua equipe, mas suficiente para evitar um isolamento diante dos movimentos no Congresso para assumir o protagonismo da agenda econômica. Nesta linha, ato contínuo às manifestações, ele abraçou a proposta de pacto para “zerar o jogo” e acertar um entendimento entre os três poderes em nome de uma pauta de interesse do país.

A disposição presidencial é bem-vinda por lideranças políticas, mas com uma ponta de desconfiança. Na avaliação tanto de líderes partidários como de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o sucesso de um pacto entre os três poderes depende principalmente do presidente da República e de seu grupo político de buscarem de fato uma melhora no relacionamento com o Legislativo e o Judiciário.

Até aqui, destacam líderes, o estilo presidencial vai mais na linha de morder mais do que assoprar. Num dia, diz um líder, ele faz um aceno ao Congresso, no outro ataca a classe política e libera seu grupo para intensificar as críticas. Resultado: o clima só piora dentro do Legislativo em relação ao Palácio do Planalto. No Executivo, a avaliação é outra, a de que um grupo de parlamentares resistem às mudanças do modelo político, sem o toma lá dá cá.

Agora, porém, reconhecem dirigentes partidários, é a oportunidade de o presidente e o Legislativo “zerarem o jogo” e mostrarem que estão dispostos a um entendimento em nome de uma agenda de recuperação econômica do país. Foi o que o presidente havia prometido na semana passada a um grupo de aliados, antes das manifestações do último domingo. Com os protestos e a proposta de formalizar um pacto, Bolsonaro ganha tempo para isso e o Congresso, do seu lado, irá aguardar os movimentos que virão do Palácio do Planalto.

Em reuniões reservadas, líderes de partidos de Centro avaliam que Bolsonaro usou as ruas para pressionar o Legislativo a “engolir” a agenda do Palácio do Planalto. Só que, destacam, foi uma minoria do país que foi às ruas para defender o presidente. Ou seja, não dá para dizer que a população em peso quer o que os bolsonaristas pediram nas ruas. Admitem, porém, que o presidente mostrou força suficiente para evitar um isolamento que lideranças políticas estavam ensaiando impor ao presidente da República.