Universidades que promovem “balbúrdia” em campus sofrem corte de verbas do MEC; ministro não quer “evento ridículo com gente pelada”

Sem detalhar os critérios adotados, o ministro da Educação, Abraham Weintaub, disse que cortará parte da verba de universidades que não tiverem desempenho acadêmico esperado e promoverem “balbúrdia” em seus campus. A Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA) já entraram nessa lista e perderam 30% dos recursos para custear gastos como água, luz e viagens de professores.
Segundo o ministro, os cortes não devem afetar serviços essenciais, como os restaurantes universitários – as verbas para despesa de pessoal também não podem entrar no corte, porque são obrigatórias. Para Weintraub, as universidades têm permitido que aconteçam em suas instalações eventos políticos, manifestações partidárias ou festas inadequadas ao ambiente universitário. “A universidade deve estar com sobra de dinheiro para fazer bagunça e evento ridículo”, disse. Ele deu exemplos do que considera bagunça: “Sem terra dentro do câmpus, gente pelada dentro do câmpus”.
Weintraub não detalhou quais manifestações ocorreram nas universidades citadas, mas disse que esse não foi o único ponto observado. Essas instituições também estão apresentando resultados aquém do que deveriam, disse. “A lição de casa precisa estar feita: publicação científica, avaliações em dia, estar bem no ranking.”   O MEC está sendo forçado a definir cortes após o governo anunciar um grande contingenciamento no mês passado. Para garantir que cumprirá a meta fiscal , a equipe econômica estabeleceu que cerca de R$ 30 bilhões dos gastos previstos ficarão congelados. Desse total, R$ 5,8 bilhões terão de vir do MEC. Educação foi a pasta que mais sofreu bloqueio em termos absolutos. Ainda que o corte tenha sido proporcionalmente menor do que o de outros ministérios, foi um duro baque. A Lei Orçamentária estabelecia cerca de R$ 23,7 bilhões para despesas discricionárias na Educação como um todo. O governo bloqueou, portanto, quase 25% do dinheiro que estava reservado para custear esses gastos.