SP começa a distribuir CoronaVac para residenciais de idosos; boa administração diante da escassez de doses; governo federal não tem um único recipiente de imunizante para oferecer ao País

A distribuição das primeiras doses da vacina contra a covid-19 destinadas para os idosos que vivem em instituições de longa permanência da capital teve início nessa terça-feira, 19, e o clima já é de ansiedade pelos reencontros nos residenciais. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, cerca de 15 mil residentes devem receber as duas doses do imunizante nas unidades onde vivem.

Gerente do Residencial Club Leger, Vinicius Neves diz que os idosos acompanharam a votação da aprovação da Coronavac e da vacina de Oxford pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), realizada no último domingo, e logo quiseram saber quando ocorrerá a vacinação. Os familiares também buscaram informações.© Daniel Teixeira/ Estadão Empresária Ana Laura espera retomar o contato com a mãe após o controle da pandemia

Neves conta que a Unidade Básica de Saúde (UBS) da região já entrou em contato para fazer o recadastramento dos moradores e funcionários. Ao todo, são 15 moradores e cerca de 25 profissionais. Ele disse ainda que um trabalho de conscientização sobre a importância da imunização foi realizado. “Com todo esse burburinho, a gente teve de atuar no convencimento de alguns moradores sobre eficácia, embora seja uma população acostumada com vacinas. São tantas contrainformações e inseguranças que tivemos de fazer o trabalho de convencimento.”

Coordenador da equipe de cuidados e apoio e responsável técnico da área clínica do Residencial Santa Cruz, Diego José Rodrigues Leme dos Santos explica que o esquema de vacinação vai seguir os padrões da campanha contra a gripe do ano passado, quando a imunização foi feita já dentro do contexto da pandemia.

“Vamos fazer todas as medidas de cuidado para evitar a covid-19, com distanciamento, evitando aglomerações. O espaço físico é grande, temos salas arejadas e vamos fazer como foi no ano passado para receber a vacina da gripe. A gente já tinha protocolo de segurança pré-instalado e vacinou.”

Santos relata que as famílias se empolgaram com a liberação das vacinas, ainda mais depois de passar tantos meses sem poder fazer visitas com direito a beijos e abraços.Técnica de enfermagem Maria Geano deu um abraco em Cleide Andrez, 73 anos, portadora da doença de alzheimer, pela filha Ana Laura  © Daniel Teixeira/ Estadão Técnica de enfermagem Maria Geano deu um abraco em Cleide Andrez, 73 anos, portadora da doença de alzheimer, pela filha Ana Laura 

“Fechamos a instituição para visita de familiares duas semanas antes do começo do surto, em março, liberamos o setor administrativo para home office e férias e testamos os profissionais. A visita é feita por um vidro, então, as famílias não os veem há muito tempo, porque não tem o contato de afetividade”, afirma Santos. “O vidro não comporta isso, dá uma sensação de impotência, mas a ansiedade dos residentes é mínima perto da dos parentes. Já tinha família ligando quando teve a liberação das vacinas.”

Em nota, o Cora Residencial Senior informou que está buscando informações sobre a imunização e que ainda não tem detalhes sobre como será a campanha em suas unidades.

‘No ano passado, só vi minha neta pelo vidro’

Moradora do Residencial Santa Cruz há três anos, Maria Therezinha Falcão Ledo, de 88 anos, chegou a ver os filhos no Natal, que ela passou em Porto Alegre, mas não vê a hora de poder voltar a ser visitada no local. “Só tenho uma neta aqui e ela veio me ver pelo vidro. No ano passado, a gente só se viu pelo vidro. Agora, só só falta a vacina, estou toda animadinha.”

Os encontros da empresária Ana Laura Andrez Vieira de Moraes, de 46 anos, com a mãe, Cleide Andrez, de 73 anos, também têm sido pelo vidro. A conta que a mãe morava sozinha, recebendo cuidados da família e de pessoas que a acompanhavam dia e noite, mas já não estava fazendo atividades como fazia. No local, passou a contar com os benefícios do convívio social.

Com o controle da pandemia, ela espera retomar logo o contato com a mãe. “Eu e as minhas irmãs estamos com muita expectativa, porque a minha mãe entrou na pandemia. A convivência que a gente teria com ela não foi possível. Estamos bem ansiosas.”