Sob tensão e desconfiança, cúpula militar chama Bolsonaro para almoço de explicações no QG do Exército; de que lado presidente está?

BR: Há uma crise com os militares dentro do governo federal. Se ela será agravada, debelada ou mantida, isso vai depender de como for a performance do presidente Jair Bolsonaro no almoço para o qual foi convidado, nas últimas horas, com a cúpula militar, no Quartel General de Brasília.

À volta do presidente estarão os comandantes do Exército, general Edson Pujol, da Marinha, almirante Ilques Barbosa, e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Antonio Carlos Bermudez, além do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo. Nenhum deles ficou satisfeito com a nota postada nesta terça-feira 7 por Bolsonaro, em sua conta no Twitter, na qual ele atribuiu boa parte de sua vitória eleitoral à influência do filósofo Olavo de Carvalho sobre seus apoiadores. Ao mesmo tempo, o presidente escreveu que não há diferenças entre os grupos militar e ideológico em sua governo. O almoço exclusivo da cúpula das Forças Armadas com o presidente mostra que o grupo militar, sim, existe – é forte.

A senha para o cerco se apertar por uma definição mais clara de Bolsonaro, no sentido de controlar a língua de Carvalho e de seus seguidores, entre os quais seus filhos Flávio, Carlos  e Eduardo, foi dada pelo ex-comandante do Exército general Villas Bôas, hoje assessor do Gabinete de Segurança Institucional. Em entrevista, ele disse que Carvalho “passou do ponto”.

Os militares se irritaram com o ataques frontais do guru do clã Bolsonaro sobre o respeitado general Carlos Alberto dos Santos Cruz. O filósofo, num tuíte veiculado nos últimos dias, disse: “Cale a boca, seu m…”, referindo-se a Santos Cruz. No domingo, fora da agenda, o general procurou Bolsonaro, no Palácio da Alvorada, para uma conversa fora da agenda, na qual acusou o secretário de Comunicação, Fabio Wejntraub, os próprios filho do presidente de amplificar, por suas redes sociais, as palavras de Cavalho.

Só o fato de o presidente ser chamado a um almoço, dentro do QG e com todo o comando militar presente, no contexto deste clima de tensão e desconfiança, mostra que a crise ganhou proporções bem maiores que uma simples divergência em termos mal educados na internet.

O que os militares tentarão fazer é não apenas enquadrar Carvalho, mas impor limites ao próprio Bolsonaro.