Sob pressão de Bolsonaro, Exército mantém silêncio sobre caso Pazuello; tentativa de convencer general a ir para a reserva

De acordo com uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo, integrantes do Alto Comando do Exército pressionaram o general Eduardo Pazuello a pedir transferência da ativa para a reserva, mas teriam ouvido que isso não está nos planos dele no momento, pois o ex-ministro da Saúde de Jair Bolsonaro (sem partido) é o principal foco da CPI da Covid no Senado.

Generais de quatro estrelas, mais alta patente do Exército, teriam conversado com Pazuello, general de três estrelas, para tentar convencê-lo, após o ex-ministro ter participado de um ato político no último domingo (23), ao lado de Bolsonaro.

A Alta Cúpula entende que a participação de Pazuello em um palanque político teria sido uma transgressão disciplinar, uma vez que o Exército proíbe a manifestação política de militar da ativa: “Manifestar-se, publicamente, o militar da ativa, sem que seja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária”, diz o regulamento.

No ato com Bolsonaro no último domingo, Pazuello apareceu em um carro de som e chegou a falar com os apoiadores do presidente. “Fala, galera. Eu não ia perder esse passeio de moto de jeito nenhum. Tamo junto, heni. Tamo junto. Parabéns pra galera que está aí, prestigiando o PR [presidente]. PR é gente de bem. PR é gente de bem. Abraço, galera”, disse o general da ativa.

Ainda de acordo com a Folha, um procedimento formal foi instaurado pelo Comando do Exército para apurar a conduta de Pazuello. Ele tem três dias úteis para apresentar uma resposta por escrito. Caso seja punido, ele pode sofrer uma advertência, repreensão, prisão ou exclusão dos quadros, de acordo com a gravidade e atenuantes do caso.

Quem decide sobre a punição é o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira. Caso ele não aja, também pode ser enquadrado como transgressor, de acordo com o regulamento disciplinar do Exército.

Pazuello não pode ser mandado para a reserva compulsoriamente, por isso haveria essa pressão da Alta Cúpula para que ele pedisse transferência, segundo o jornal.

Até o momento, não houve qualquer posicionamento do Ministério da Defesa e do Comando do Exército acerca da participação de Pazuello em um ato político em apoio a Bolsonaro.