Sob influência de Bolsonaro, Caixa e Votorantim podem executar e empurrar Odebrecht para a recuperação judicial

A Caixa Econômica Federal e o Banco Votorantim indicaram à empreiteira Odebrecht que podem executar empréstimos concedidos à holding, após a Atvos, braço sucroenergético do grupo, ter recorrido à recuperação judicial na semana passada. Isso porque ambos os bancos não têm suas dívidas garantidas por ações da Braskem, ao contrário de outras instituições financeiras. Uma reunião deve ocorrer hoje. A nova direção da Caixa estaria inclinada a fazer valer os contratos e cláusulas de proteção. O raciocínio da Caixa seria o de não assumir o ônus de créditos mal sucedidos de gestões passadas. A nova gestão já tomou o cuidado de fazer provisões para possíveis perdas com a holding.

Se o grupo for levado à recuperação judicial por Caixa e Votorantim, o governo brasileiro terá tido papel relevante nesse processo, já que a União é dona de 100% do capital do primeiro banco e tem 49,9% da segunda casa, através do Banco do Brasil. Até a gestão Michel Temer, prevalecia o entendimento no Palácio do Planalto de que os executivos eram os responsáveis por erros e não as empresas.

Se não houver acordo, o caminho será a recuperação judicial da holding, com potencial de carregar outras empresas do grupo Odebrecht. Pessimistas acreditavam nesse desfecho em questão de semanas, e não dias como parece estar ocorrendo.