Só este ano, governo Bolsonaro produziu 49 declarações racistas; presidente fez 12; contabilidade da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq)

Um estudo inédito feito pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e pela organização Terra de Direitos mostra que desde o início do ano passado o País registrou pelo menos 49 casos de discursos racistas proferidos por autoridades públicas. Desse total, 12 partiram do presidente Jair Bolsonaro.

O levantamento considerou o período a partir de 1º de janeiro do ano passado até o dia 6 deste mês. Do total de 49 casos identificados, 20 resultaram em abertura de algum tipo de apuração, seja por inquérito policial, ação ou procedimento administrativo. Até o momento, contudo, nenhum dos autores foi responsabilizado. E muitos dos casos foram arquivados.

“Nós estamos cansados de pedir providências às autoridades e elas rebaterem que isso se trata de liberdade de expressão”, comentou Givania Maria da Silva, que integra a Conaq. “Essas autoridades têm imunidade do cargo, e nosso levantamento mostra que estão usando isso. A imunidade seria para outro fim, mas as autoridades a usam para proferir suas práticas de racismo.”

Entre os registros, 12 partiram do presidente Jair Bolsonaro e outros 12 de deputados estaduais. Chefes de autarquias, de secretarias ou de outros órgãos de governo (11 casos), deputados federais (6), vereadores (5) e membros do sistema de Justiça (3) completam a lista.