Man made forest fires to clear land for cattle or crops.

Sem meios de demitir diretor, Bolsonaro quer que notícias do Inpe sobre desmatamento “passem antes pelo capitão”; filtro e censura?

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) questionou novamente nesta segunda-feira, 22, a divulgação de dados do monitoramento de desmatamento pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo ele, os números são muito altos e é necessário ter “mais responsabilidade” na divulgação dos números.

“O chefe do Inpe será ouvido pelos ministros, para conversar com ele para que isso não continue acontecendo”, disse. “É o mesmo que um cabo passar uma notícia sem passar pelo capitão, coronel ou brigadeiro. Não está certo isso aí.”

Bolsonaro questionou a interpretação dos dados. “Quando você pega os dados, a pessoa conduz para aquele lado”, afirmou.Veja mais no MSN Brasil:
Bolsonaro: ações contra Flávio já foram ‘resolvidas’ (VEJA.com)
PDT e PSB devem abrandar punições a rebeldes (HuffPost Brasil)
Bolsonaro: ‘Não falei em acabar com multa do FGTS’ (Estadão)
Governador da Bahia não irá a evento com Bolsonaro (Estadão)

Segundo o presidente, “o mundo inteiro leva em conta” a questão ambiental e a divulgação de dados negativos pode prejudicar negociações bilaterais e do Mercado Comum do Sul (Mercosul).

Mais cedo, nesta segunda, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, manifestou-se e disse que compartilha a “estranheza” de Bolsonaro quanto à variação dos dados e pediu um “relatório técnico completo””sobre os últimos dois anos de análises. Também afirmou que vai cobrar um posicionamento do diretor do Inpe, Ricardo Galvão.

“Com relação aos dados de desmatamento produzidos pelo Inpe, organização pelo qual tenho grande apreço, entendo e compartilho a estranheza expressa pelo nosso presidente Bolsonaro quanto à variação porcentual dos últimos resultados na série histórica”, escreveu o ministro, em nota divulgada pela pasta.

Na última sexta-feira, Bolsonaro, em café da manhã com jornalistas estrangeiros, disse que os dados que mostram aumento da perda da floresta em junho e neste início de julho são mentirosos. Ele também insinuou que o diretor do Inpe, Ricardo Galvão, esteja “a serviço de alguma ONG (organização não governamental)“.