“Sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleição”, determina Bolsonaro; presidente radicaliza em dia de atos a seu favor

presidente Jair Bolsonaro (sem partido) novamente colocou em dúvida a realização de eleições em 2022 ao se dirigir a apoiadores que realizaram ato neste domingo (1º) em Brasília em defesa do voto impresso.

“Vocês estão aí, além de clamar pela garantia da nossa liberdade, buscando uma maneira que tenhamos uma eleições limpas e democráticas no ano que vem. Sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleição”, disse Bolsonaro, por vídeo, a manifestantes concentrados em frente ao Congresso Nacional.

“Nós mais que exigimos, podem ter certeza, juntos porque vocês são de fato meu Exército —o nosso Exército— que a vontade popular seja expressada na contagem pública dos votos”, afirmou na mesma videochamada.

Em outro trecho, o presidente declarou que ele e seus seguidores não vão “esperar acontecer para tomar providências”. “Juntos nós faremos o que tiver que ser necessário para que, repito, haja contagem pública dos votos e tenhamos eleições democráticas no ano que vem”.

Bolsonaro é defensor do voto impresso, que ele diz ser “auditável” e “democrático”.

As frequentes declarações golpistas do mandatário têm elevado a crise entre o Planalto e os demais poderes, principalmente o Judiciário.

Bolsonaro tem como um de seus alvos preferenciais o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luís Roberto Barroso, que defende a confiabilidade das urnas eletrônicas e rechaça as acusações de que houve fraude em pleitos passados.

Numa referência a Barroso, Bolsonaro também disse neste domingo que quem afirma que o sistema eleitoral brasileiro é auditável e seguro é “mentiroso”.

Em outro momento, o presidente da República ameaçou “dar um último alerta”, referindo-se ao ato deste domingo na avenida Paulista, em São Paulo, em defesa do voto impresso.

“O poder é que está em jogo. Não estou aqui em hipótese alguma querendo impor a minha vontade, é a vontade de vocês. Se preciso for dar um último alerta àquele que não tem respeito para conosco eu convidarei o povo de São Paulo, a maior capital do Brasil, para ir à [avenida] Paulista para que o som deles, a voz do povo, seja ouvido por aqueles que teimam em golpear a nossa democracia. Se o povo lá disser que voto tem que ser auditável e que a contagem tem que ser pública e que o voto tem que ser impresso”, afirmou.

O presidente ainda renovou a retórica anticomunista que caracterizou sua campanha de 2018. “Nossa união nos libertará da sombra do comunismo e do socialismo.”

Em São Paulo, centenas de apoiadores do presidente se reuniram no quarteirão em frente ao prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na avenida Paulista.

O ato teve início por volta das 14h ao som do hino nacional e na sequência discursou a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), que vem convocando aliados para o ato há pelo menos duas semanas. Ao longo da fala da deputada, os presentes entoaram gritos de “mito”, “Lula ladrão” e “fora, Doria”.

Também esteve presente o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles.

Entre os apoiadores, muitos, sem máscara, traziam cartazes ecoando o discurso do presidente e pedindo por voto auditável, contagem pública dos votos e auditoria do povo. A maioria usava camisas da seleção brasileira com bandeiras de apoio a Bolsonaro como “meu partido é o Brasil”.

Zambelli apontou o voto impresso como o primeiro passo para evitar a implantação do comunismo.

O ataque mais forte feito por Bolsonaro ao sistema eleitoral brasileiro ocorreu na última quinta-feira (29), numa live de duas horas em que ele trouxe teorias sobre a vulnerabilidade das urnas que circulam há anos na internet e que já foram desmentidas anteriormente.

Na ocasião, ele reconheceu não ter provas de irregularidades nas eleições, mas disse ter “indícios fortíssimos”.

Não é a primeira vez que o mandatário ameaça as eleições de 2022.

“Eleições no ano que vem serão limpas. Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”, afirmou Bolsonaro, em 8 de julho.

A manifestação em Brasília começou às 9h e terminou por volta de 12h. Os apoiadores do presidente se concentraram em frente ao Congresso Nacional com faixas que pediam o “voto impresso auditável” e criticavam o STF (Supremo Tribunal Federal) e TSE.

Antes da videochamada de Bolsonaro, a deputada Bia Kicis (PSL-DF), autora da PEC do voto impresso, discursou e insinuou que a proposta corre o risco de não ser aprovada na comissão especial por pressão do TSE e de Barroso.

O ex-chanceler Ernesto Araújo também subiu ao palco e falou a favor do voto impresso.

Além de defenderem a PEC, os manifestantes do protesto também pediam liberdade ao deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), preso novamente em junho por desrespeitar o uso de tornozeleira eletrônica.

Os atos pelo voto impresso foram convocados para ocorrer em outras cidades do país neste domingo.

Manifestantes também se reuniram na manhã deste domingo na praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, e em Niterói, na região metropolitana do Rio.

Em Copacabana, apoiadores do presidente atacaram o sistema eleitoral e o STF. Manifestantes inflaram um “pixuleco” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vestido de presidiário e colaram nele uma imagem do ministro Luís Roberto Barroso, com os dizeres: “Eu roubo a grana, meu moleque [Barroso] os votos”.

Um senhor que caminhava pelo ato levantava dois cartazes, afirmando que não acreditava que Fernando Haddad havia somado 42 milhões de votos nas eleições de 2018. “Não confio no TSE/STF, simples assim”, dizia uma das placas. Outra mulher defensora da “contagem pública” dos votos carregava uma folha com o recado: “Estranho não querer transparência!”.

Com bandeiras do Brasil e algumas de Israel, a manifestação esteve mais cheia do que as últimas realizadas por movimentos conservadores na cidade. Para além do voto impresso, apoiadores de Bolsonaro também defenderam intervenção militar, liberdade para o deputado federal Daniel Silveira (preso por ataques ao Supremo) e até mesmo a monarquia.

Neste sábado (31), Bolsonaro ignorou apelos de líderes e dirigentes de partidos do centrão que dão sustentação ao seu governo e voltou a atacar o sistema eleitoral durante manifestação a seu favor em Presidente Prudente (SP). Ele afirmou em palanque que a democracia só existe com eleições limpas e que não aceitará uma “farsa”.

“Queremos eleições, votar, mas não aceitaremos uma farsa como querem nos impor. O soldado que vai à guerra e tem medo de morrer é um covarde. Jamais temerei alguns homens aqui no Brasil que querem impor sua vontade”, disse no interior paulista.

Aliados de Bolsonaro avaliam a renovação do discurso golpista do presidente como uma tentativa de manter sua base radical mobilizada diante de uma sucessão de acontecimentos que têm desgastado o governo ou colocado em xeque o discurso com o qual se elegeu em 2018 após a aliança com o centrão, consolidada com a indicação de Ciro Nogueira para chefiar a Casa Civil na semana passada.Leia MaisTÓPICOS PARA VOCÊ

MAIS DE FOLHA DE S.PAULO

 ACESSE O SITE 

MAIS PARA VOCÊ

Mais frio? Veja como fica o clima durante a semana Veja São PauloBrasil atinge marca de 100 milhões de pessoas vacinadas Veja São PauloSTF decide sobre Bolsonaro e atuação de Braga NettoBRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Em meio à tensão institucional causada pelos recentes ataques do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal), a corte volta do recesso nesta semana com julgamentos importantes e que podem gerar novas brigas entre os Poderes. No segundo semestre, o tribunal definirá o formato do depoimento do chefe do Executivo no inquérito que apura a suposta interferência dele no comando da… Folha de S.PauloForça-tarefa de SP autua Espaço das Américas por show do cantor Belo… Folha de S.Paulo

Abert repudia pedido para quebrar sigilo bancário da Jovem Pan na CPI da Covid EstadãoMais de 2 milhões de vacinas da Pfizer chegam hoje ao país VEJA.comCovid matou mais policiais do que violência no Rio de Janeiro IstoÉRobô encontra navio naufragado há mais de 2 mil anos carregado de vinho na Itália RedeTV!

Em atos pelo voto impresso no país, Bolsonaro novamente… Folha de S.PauloGaby Amarantos completa 43 anos: ‘Comemorando… EstadãoTropa de choque feminina de Arthur Lira domina cargos-chave… VEJA.comChefe da junta militar de Mianmar promete eleições em dois anos IstoÉPaes apaga Nuzman de foto publicada para elogiar Rebeca Andrade Folha de S.PauloRoberto Requião anuncia saída do MDB após perder disputa pelo… EstadãoCiro Nogueira quer monitorar as chances eleitorais de Bolsonaro VEJA.comPetrobras diz que não há definição sobre participação em programas sociais IstoÉArtistas restauram Escadão Marielle Franco, vandalizado com tinta…SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um grupo de artistas e integrantes de movimentos sociais limparam e restauraram o escadão Marielle Franco, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, na manhã deste sábado (31). O local, com pintura em homenagem à vereadora carioca, assassinada em março de 2018, foi pichado na madrugada de sexta (30) com as frases “Viva Borba Gato”, além dos números “666”, que remetem a grupos neonazistas. No mesmo dia, um monumento a… Folha de S.PauloVettel protesta contra governo húngaro e usa capacete arco-íris em… EstadãoMédia móvel de mortes por covid cai para abaixo de mil pela 1ª vez em 6… IstoÉHenrique Fogaça tranquiliza fãs após queda no Masterchef… Folha de S.PauloAfeto ancestral: Djamila Ribeiro lança novo livro ‘Cartas para Minha Avó’ EstadãoAfundamento em Maceió já atinge 4.500 comerciantes e realoca… Folha de S.PauloMuitos Lázaros EstadãoTaleban lança grande ofensiva para tomar cidades-chave no… Folha de S.PauloArte de ressignificar: Sonia Gomes apresenta a exposição Lágrima EstadãoApós mês do Orgulho LGBTQIA+, discussões e patrocínio desidratam Folha de S.PauloNilton Bonder: Autoestima x Confiança Estadão

Para combater fake news sobre vacina, Biden abre guerra contra redes… Folha de S.PauloO melhor do Brasil: as brasileiras EstadãoPrédios mudam regras para aluguéis por temporada tipo Airbnb Folha de S.PauloDiálogo como recusa à violência para lidar com as divergências; leia… EstadãoEduardo Costa recusa DNA a mulher que diz ser mãe biológica dele Folha de S.PauloAlto Escalão: Sérgio Rial muda de cargo no Santander EstadãoPensionistas de antigos ministros da Justiça militar ganham 30% a mais Folha de S.PauloEletrobras vai investir R$ 8,3 bi em modernização Estadão

Governo quer negociar precatórios para garantir reformulação do Bolsa… Folha de S.PauloCom Ciro Nogueira na Casa Civil, Progressistas prepara plano de… EstadãoCentrão avança sobre Planalto e tenta pôr fim ao voto impresso Folha de S.PauloUm mundo em dois tempos EstadãoCineastas afegãos temem perseguição com possível volta do Taleban ao… Folha de S.PauloFacebook corre atrás de rivais para conquistar criadores de conteúdo EstadãoPolarização no Brasil supera média mundial e causa mais tensão que… Estadão

Professores vão de casa em casa para trazer alunos de volta à escola em SP Folha de S.PauloPara Macaé, o futuro está nas térmicas EstadãoProjetos propõem a retirada de símbolos escravagistasSÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O fogo na estátua de 10 metros do bandeirante Manuel de Borba Gato reacendeu o debate sobre a pertinência de monumentos que homenageiam pessoas ligadas à escravidão, à ditadura e a outros períodos sensíveis no passado do Brasil. Era o objetivo. “O ato foi para abrir um debate. Em nenhum momento foi feito para machucar alguém ou querer causar pânico. Que as pessoas agora decidam se querem ter uma estátua de 13 metros… Folha de S.PauloGarotos tentam espantar o frio em Minas e acabam morrendo em incêndio EM.com.brGiovani sobre acidente: “o cinto de segurança fez total diferença” Veja São PauloAo menos 16 capitais têm manifestações a favor do voto impresso, veja… Poder360Berlim detém centenas em atos não autorizados contra restrições dw.comComunidade andina boliviana pede à Pachamama pelo fim da… AFP

https://cdn.adaptv.advertising.com/msft/msftsync.html