Santos Cruz fala que governo está “entre a cruz e a espada” diante dos caminhoneiros e do liberalismo no preço do diesel

BR: O governo não tem uma proposta alternativa a ser feita aos caminhoneiros, além do pacote de obras em estradas, linha de crédito no BNDES e o reajuste de 4,8% no preço do óleo diesel, com previsão de nova alta em quinze dias. É isso o que se depreende da entrevista publicada hoje, pelo jornal O Globo, do ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz.

Para o general, o governo precisa entender os segmentos sociais, como o dos caminhoneiros. “Mas o setor também tem de entender a conjuntura em que vive, que não é isolada da conjuntura nacional”. Para ele, a busca de solução para a categoria “existe dentro dos limites do contexto econômico, da legislação, que precisa ser entendido também”.

O ministro diz que “o governo fica sempre entre a decisão política e o limite econômico, está sempre entre a cruz e a espada”. Sobre a possibilidade de uma greve, Santos Cruz admite que “a democracia funciona assim (com pressão), mas é preciso ter responsabilidade”.

A respeito da tramitação da reforma da Previdência no Câmara, cuja votação do relatório foi adiado na CCJ, ele diz ver “tudo com muita naturalidade”. “Não é questão só de ganhar. Não é um jogo. Às vezes não foi exatamente como você queria, mas daí para ser uma derrota é diferente”, diz. O general ressalva que a aprovação da Previdência “não está diretamente ligada à aprovação de recursos, mas é normal, em qualquer lugar do mundo, auxiliar a base política, aqueles que estão alinhados política e administrativamente com o governo”. Para ele, “o Brasil pegou a sensação negativa de que se negociam benefícios pessoais. Isso simplesmente não existe. Recebemos demandas para atender a população, e isso é absolutamente válido”.

Santos Cruz lamentou a saída do embaixador Mario Vilalva da Apex. “Eu desejava que ele permanecesse pela qualidade dele. Administrativamente, vamos ver se a Apex encontra também o seu caminho”.

Por fim, sem citar os seguidores do polemista Olavo de Carvalho, o ministro criticou o “fanatismo”. “O problema não é ter gente de direita, gente de esquerda. A filosofia e ideias você pode discutir, o que eu condeno é o fanatismo, seja ele de um lado, seja ele do outro”. 000fffff