Santander impõe trabalho no sábado em agências para 1,9 mil funcionários; Rial chama de ação voluntária; “Distorção, pressão e autoritarismo”, rebate Contraf

BR: O presidente do Santander no Brasil e na América do Sul, Sergio Rial, virou o campeão no ranking de reclamações dos bancários junto à Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf). O motivo é a implantação de um programa de trabalho aos sábados, dentro das agências, de educação financeira a clientes. Por determinação de Rial, o banco espanhol vem classificando essa atividade como voluntária e, portanto, sem remuneração. Os bancários a denunciam como obrigatória e punitiva.

No último sábado, nada menos que 1,9 mil funcionários do Santander foram mobilizados para o serviço em 27 agências espalhadas pelo país. No contato com clientes, prestaram serviços de educação financeira durante uma jornadas de quatro horas de trabalho “voluntário”, segundo Rial.

“Qual é o funcionário que tem condições de dizer não a um supervisor que o convoca para ir a uma agência, no sábado, para um atendimento de quatro horas aos clientes, dizendo que isso é ‘trabalho voluntário’”?, pergunta a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf), Juvandia Moreira. “Quem se recusa a ir entra para a geladeira, é posto de lado e tem prejuízo em sua carreira”, completa ela, que aponta uma grave distorção no conceito de trabalho voluntário. “Quando ocorre dentro das agências e com o sentido de orientar financeiramente os clientes, isso é apenas trabalho, não tem nada de voluntário”, diz ela.

A Contraf conseguiu barrar a iniciativa em Salvador e Porto Alegre e, agora, vai à Justiça do Trabalho exigir a remuneração pela jornada extra. “A CLT nos garante”, afirma Juvandia. “Chamar essa exploração de mão de obra de trabalho voluntário é um absurdo”, completa.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, no final de semana, Rial também externou a informação de que o banco espanhol pretende acabar com o atendimento humano nos caixas das agências. A Contraf, outra vez, fará oposição.

“Isso já foi tentado pelo Unibanco e não passa de uma iniciativa para cortar custos e pessoal, não tem nada de moderno”, afirmou Juvandia  Moreira. “Também iremos à Justiça contra essa substituição de mão de obra”.