Saída salomônica; Lira e Pacheco articulam ampliação de testes de integridade de urnas eletrônicas para aplacar ira de Bolsonaro; voto impresso deve ser barrado pela Câmara amanhã

Líderes do Congresso, integrantes do governo e ministros do STF e do TSE articulam estratégias para reduzir a tensão entre os Poderes após a análise do voto impresso na Câmara. O presidente da Casa, Arthur Lira, deve abordar o tema em almoço hoje com líderes da base governista nesta segunda-feira. A PEC do voto impresso deve ser analisada pelos deputados na terça-feira 10.

A expectativa da cúpula do Congresso é que o plenário derrube o texto. A ideia em costura é criar um ambiente que possibilite a Bolsonaro conter as críticas ao atual sistema eleitoral. Uma das soluções em negociação é o aumento no número de urnas eletrônicas que seriam submetidas ao teste de integridade, o que daria a Bolsonaro narrativa para justificar que a luta pela mudança no modelo teve resultado.

A articulação tem sido capitaneada por Lira e pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. A interlocutores eles dizem acreditar que essa é uma boa saída porque os dois lados teriam de ceder um pouco. Desde 2002, o teste de integridade é realizado pelo TSE e consiste na realização de uma votação paralela. Representantes de partidos e coligações depositam votos em uma urna de papel e o mesmo voto é dado na urna eletrônica. Ao final, é atestado que os números das duas urnas coincidem, comprovando a lisura do sistema. Cerca de cem urnas são submetidas a esse teste. O TSE já avalia para quantos equipamentos a medida poderia ser ampliada. Uma outra ideia é aumentar o tempo em que o código-fonte usado nas urnas fica aberto ao público. Atualmente, esse período é de seis meses, mas pode ser ampliado para um ano ou mais.