Risco de efeito cascata; Brasil contesta na OMC boicote das Filipinas ao frango brasileiro; associação a coronavírus rebatida por Tereza Cristina

O governo brasileiro vai acionar a OMC (Organização Mundial do Comércio) para contestar a decisão das Filipinas de suspender a importação de frangos vindos do Brasil. O país asiático anunciou na 6ª feira (14.ago.2020) que iria paralisar temporariamente as importações depois que vestígios do novo coronavírus foram encontrados em carregamento de asas de frangos vindo do Brasil.

A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) disse ao Estado de S. Paulo que as Filipinas já tinham indicado que queriam proteger os produtores locais. Afirmou que a decisão foi tomada sem que houvesse provas concretas de contaminação. “O Brasil vai reagir. Não podemos misturar uma situação comercial com uma notícia que não tem confirmação. Um assunto comercial não se mistura com a pandemia”, disse.

Já prevíamos o aumento do protecionismo, e espero que não [haja 1 efeito cascata]. Só sei te dizer que, se as coisas forem pelo método científico, o Brasil está fazendo o seu trabalho”, afirmou Cristina.

O governo da cidade de Shenzhen, sul da China, disse na 5ª feira (13.ago) que tinha encontrado vestígios do vírus, mas não deu mais detalhes. No mesmo dia, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento divulgou nota informando que não foi notificado oficialmente pela China sobre a “suposta detecção”. O ministério ressaltou ainda que a OMS (Organização Mundial da Saúde) descarta a transmissão de covid-19 a partir de alimentos ou embalagens de alimentos congelados.

Para o governo brasileiro, as Filipinas estão aumentando o protecionismo e usando a pandemia para justificar suas ações. A pasta da Agricultura enviou ao Itamaraty pedido para que articule a defesa brasileira junto ao governo das Filipinas e à OMC. A embaixadora das Filipinas no Brasil foi chamada para explicar as ações do país asiático.