Reverendo em posto chave na Saúde aceitou pagar US$ 17,50 por dose de AstraZeneca; amigo de Flávio 01; corrupção em nome de Deus

O Ministério da Saúde aceitou pagar US$ 17,50 por dose de vacina da AstraZeneca, um valor valor três vezes maior do que a pasta pagou em janeiro a um laboratório indiano, em negociação conduzida pelo reverendo Amilton Gomes de Paula com a empresa americana Davati com aval de Lauricio Monteiro Cruz, diretor de Imunização do Ministério da Saúde. A informação é do ‘Jornal Nacional’.

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Reverendo Amilton Gomes registra encontro no Ministério da Saúde; Dominguetti (o primeiro dà esquerda), Cruz (ao meio) e major da Força Aérea Hardaleson Araújo de Oliveira (segundo à direita) também marcaram presença
Reverendo Amilton Gomes registra encontro no Ministério da Saúde; Dominguetti (o primeiro dà esquerda), Cruz (ao meio) e major da Força Aérea Hardaleson Araújo de Oliveira (segundo à direita) também marcaram presençaFoto: Reprodução

E-mail obtidos pela reportagem do jornal mostram que a Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários) e o reverendo, que fundou a entidade, estavam copiados na troca de mensagens para compra de vacinas. Os contatos começaram no final de fevereiro.https://2b1edbbc81597e2a56add2cb04eb5c84.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Cristiano Carvalho, representante da Davati no Brasil, confirmou ao ‘JN’ que estava copiado na troca de e-mails. 

Após as mensagens reforçando o aval para a negociação, o reverando postou em uma rede social foto de um encontro no Ministério da Saúde. “Senah faz reunião no ministério para articulação mundial em busca de vacinas e para a consecução de uma grande quantidade dos imunizantes a ser disponibilizada no Brasil”, escreveu na legenda. 

A negociação não acabou se concretizando após o secretario Élcio Franco ser exonerado da Saúde no final de março. 

Amilton Gomes circula por Brasília e já posou com Flávio Bolsonaro
Amilton Gomes circula por Brasília e já posou com Flávio BolsonaroFoto: Reprodução

Na última semana, o policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que se apresentou como intermediador na mesma negociação, acusou Roberto Ferreira Dias, então diretor de Logística do Ministério da Saúde, de cobrar propina de US$ 1 por dose para fechar o contrato. 

Dominguetti, que aparece na imagem postada pelo revenrendo, disse em depoimento que o imunizante vendido pela Davati era de US$ 3,50 por dose.