Reuters: Vale sabia desde outubro/18 que barragem tinha risco dobrado de rompimento; Senado cria CPI de Brumandinho

A Vale, maior produtora global de minério de ferro, estava ciente no ano passado de que a barragem de rejeitos de Brumadinho que entrou em colapso no mês passado, matando pelo menos 165 pessoas, tinha um risco elevado de ruptura, segundo documento interno visto pela Reuters na segunda-feira, 11.

Na esteira desta e outras notícias que apontam para a ciência da Vale a respeito do estado precário da barragem, o Senado decidiu, na noite de ontem, criar uma CPI para investigar as causas da tragédia. Até agora, 160 pessoas morreram e outras 155 estavam desaparecidas em razão do rompimento da barragem Córrego do Fejão.

O relatório, datado de 3 de outubro de 2018, mostra que, segundo a própria Vale, a barragem da mina de minério de ferro Córrego do Feijão, tinha duas vezes mais chance de se romper do que o nível máximo tolerado pela política de segurança da empresa.

O documento é a primeira evidência de que a própria Vale estava preocupada com a segurança da barragem.

sso levanta a questão de por que uma auditoria, realizada na mesma época, garantiu a estabilidade da barragem e por que a mineradora não tomou precauções, como mover um refeitório localizado logo abaixo da estrutura que se rompeu.

A Vale disse que o relatório, chamado de “Geotechnical Risk Management Results”, compreendia as opiniões de engenheiros especialistas, que são obrigados a trabalhar dentro de procedimentos rigorosos quando identificam quaisquer riscos.

“Não existe em nenhum relatório, laudo ou estudo conhecido qualquer menção a risco de colapso iminente da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho”, disse a Vale em uma nota por e-mail.

“Pelo contrário, a barragem possuía todos os certificados de estabilidade e segurança, atestados por especialistas nacionais e internacionais.”

A Vale perdeu cerca de um quarto de seu valor de mercado, ou quase 19 bilhões de dólares, desde a tragédia.

O colapso da barragem ocorreu em 25 de janeiro e foi a mais mortal tragédia de mineração do Brasil e o segundo desastre envolvendo uma barragem de rejeitos de minério de ferro em pouco mais de três anos no país.

Zona de atenção

O relatório interno da companhia de outubro de 2018 colocou a barragem da mina Córrego do Feijão dentro de uma “zona de atenção”, dizendo que “deve ser assegurado que todos os controles de prevenção e mitigação estejam sendo aplicados”.

A barragem foi marcada para descomissionamento. Um fracasso poderia custar à empresa 1,5 bilhão de dólares e teria o potencial de matar mais de cem pessoas, segundo o relatório. Outras nove barragens, das 57 que foram estudadas, foram colocadas na zona de atenção, de acordo com o relatório. fffffffffffffff