Reitor da Zumbi dos Palmares faz diagnóstico correto de morte de João Alberto por seguranças do Carrefour: “Foi mais selvagem que a de George Floyd”

Para o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, 61, o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, 40, um homem negro espancado e asfixiado numa unidade do Carrefour em Porto Alegre, é ainda mais brutal do que a morte de George Floyd, homem negro morto por um policial branco nos Estados Unidos.

Laudo preliminar do Instituto Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul indica que Beto teve asfixia, assim como Floyd, que, ao 46 anos, morreu depois de ter o pescoço prensado contra o chão pelo joelho de um policial em Minnesota.

“Não é possível comparar se uma morte é mais dolorida que outra. Todas são perdas. Mas [o caso de Beto Freitas] foi mais selvagem”, disse. Imagens obtidas pela Folha revelam que Beto Freitas, 40, foi asfixiado por quase quatro minutos, diante de 15 testemunhas, após ser espancado por pelo menos dois minutos. (…)

O senhor acredita que o caso do Beto Freitas pode ser comparado ao de George Floyd, morto asfixiado nos Estados Unidos?
É ainda mais brutal. Nos Estados Unidos, quando se analisa a cena se observa que o policial assumiu o risco ao não considerar o pedido de Floyd, que não conseguia respirar. Um está com o joelho nas costas dele e outro de pé. O que vemos no Carrefour foi uma ação ativa, com continuidade e intensidade, durante vários minutos. Ficou estabelecida a disposição de alcançar, senão a morte, danos físicos muito graves. A funcionária que aparece gravando é a representação oficial da empresa. Não é possível comparar se uma morte é mais dolorida que outra. Todas são perdas. Mas [o caso de Beto Freitas] foi mais selvagem, com uma raiva injustificada.