“Quando acaba a saliva, entra a pólvora”, diz Bolsonaro, aumentando pressão no continente; a falar como presidente, preferiu imagem militar

BR: Num momento de altíssima tensão na América do Sul, com a Venezuela entrando no que muitos apontam ser uma situação de guerra civil e a Argentina mergulhada em uma grave crise econômica, o presidente Jair Bolsonaro conseguiu aumentar a pressão no ambiente.

Nesta sexta-feira 3, a formandos em diplomacia, durante e após cerimônia no Palácio do Itamaraty, Bolsonaro falou sobre os limites da atividade diplomática e as características dos militares, colocando-se como integrante deste último segmento.

“Eles (diplomatas) que nos (militares) evitam entrar em guerra. Quando acaba a saliva, entra a pólvora. Não queremos isso. Temos de tentar a solução dos conflitos de forma pacífica, é isso”, pontuou, para logo voltar ao tema da guerra: “Se não tiver como, em um hipotético conflito, resolver na diplomacia, aí cada país decide se vai pelas últimas consequências ou não”.

Ele repetiu cinco vezes a palavra ‘não’ para dizer que não estava se referindo à situação na Venezuela. E fez, então, uma emenda bastante polêmica, comentando que sua “maior preocupação é com a Argentina hoje em dia”.

Falando ao novos diplomatas, Bolsonaro já havia se posicionado como  militar:
“Quando os senhores falham, entramos nós, das Forças Armadas. E, confesso, que torcemos, e muito, para não entrarmos em campo”, afirmou. Para ele, a situação na Venezuela fará o Brasil ir “no limite do Itamaraty”. E fez uma análise do quadro, na torcida franca pela derrubada do presidente  Nicolás Maduro:

“A gente espera que essa fissura na base do exército vá para cima. Não tem outra maneira. Se você não enfraquecer o exército da Venezuela, o Maduro não cai”, calculou.