Qual deles está mentindo? Moro nega acordo com Bolsonaro pelo STF, que o enfraquece como ministro e abala suas pretensões presidenciais

BR: Quem está mentindo? O presidente Jair Bolsonaro ou o ministro Sergio Moro? O primeiro disse que teria feito um acordo com o ex-juiz para indicá-lo à “primeira vaga que tiver” no STF, em entrevista, ontem, ao radialista Milton Neves, da Rede Bandeirantes. Nesta segunda-feira 13, o ministro negou que o acordo exista. “Não estabeleci nenhuma condição para aceitar o convite”, disse Moro.

O fato é que, independentemente da mentira ser de um ou de outro, Bolsonaro colocou Moro numa situação delicada. Permanecendo como ministro da Justiça, ele poderá ser visto como alguém que apenas espera ser chamado para o STF. Virou, portanto, um ministro temporário, que poderá deixar o cargo em cerca de um ano e meio. Está de “aviso prévio”, como observou o jornalista Reynaldo Azevedo.

No mesmo movimento, Bolsonaro atingiu com um tiro de pistola de 9 mm as pretensões presidenciais de Moro. Ao revelar o acordo para a subida do ex-juiz ao STF, o presidente colocou entre o atual ministro e as próximas eleições, uma etapa que não existia, representada na poltrona creme do decano Celso de Mello, reservada para Moro.

Se, de fato, como quer, segundo o acordo revelado por Bolsonaro, Moro sentar-se naquela cadeira, será muito complicado levantar-se dela, depois de poucos meses, para anunciar a sua própria candidatura presidencial. O gesto seria visto como um trampolim de oportunismo e causaria ruídos no eleitorado que avalia Moro como o melhor ministro do governo Bolsonaro.

No mano a mano, de resto, a avaliação sobre o desempenho pessoal de Moro é melhor, segundo as pesquisas, que a de Bolsonaro – o que deve, certamente, provocar ciúmes no presidente.

Os problemas para Moro com a revelação de Bolsonaro já começaram. Além das avaliações de comentaristas políticos sobre a saia justa em que foi metido pelo presidente, no Congresso ganham força o projeto de lei que aumenta a quarentena dos magistrados para concorrerem a cargos públicos, subindo-a para cinco anos, a chamada lei anti-Moro, e uma nova ‘PEC da Bengala’. Neste caso, os parlamentares subiriam o tempo de 75 anos, como é hoje, para 80 anos de idade o limite para a aposentadoria compulsória dos ministros da Corte. Moro, assim, teria de esperar não um ano e meio, mas pelo menos cinco anos pela próxima vaga.