Quais as cotas de exportações do Brasil? Acordo de Paris será respeitado? E as leis trabalhistas? Tratado UE-Mercosul impõe obrigações ao Brasil

BR: Ok, o tratado comercial entre União Europeia e o Mercosul está assinado, mas o que acontece agora?

A primeira observação é a de que, durante toda a sua campanha eleitoral, o então candidato Jair Bolsonaro desdenhou, renegou e atacou, por todos os lado, o Mercosul. Antes da posse, mas já indicado ministro da Economia, Paulo Guedes seguiu a mesma ojeriza ao bloco econômico, chegando ao cúmulo de ser rude com uma jornalista do argentino Clarín, como se ela fosse a encarnação do Mercosul que deveria ser esquecido.

No curso do governo, Bolsonaro e Guedes foram à Argentina e juraram apreço e admiração pelo Mercosul.

A primeira pergunta objetiva sobre o conteúdo do tratado assinado agora, após 20 anos de negociações, partiu do correspondente Jamil Chade, do jornal O Estado de S. Paulo: “Qual será a cota para a exportação de carnes, açúcar e etanol do Brasil para a UE?”.

O correspondente reclamou que, apesar de mostrar vários números, o governo brasileiro não informou quais, afinal, serão as cotas. Maior que a atual, inferior ou igual?

“Hahahaha. Governo brasileiro agora diz que só vai revelar as cotas que país recebeu para exportar à UE nos próximos dias!”, escreveu Chade no Twitter.

Outras dúvidas igualmente já se instalam. Como o tratado obriga ao seguimento do Acordo de Paris, de proteção ao meio-ambiente, e de observação de legislação trabalhista formal nos setores exportadores, a questão é: esses compromissos serão mesmo cumpridos pelo ‘rebelde’ governo brasileiro?