Público saúda Lula na chegada ao cemitério Jardim da Colina, em São Bernardo; assista

BR: Após viajar sob forte escolta da Polícia Federal por meio de helicóptero, avião e automóvel, o ex-presidente Lula, que cumpre pena em Curitiba, chegou por volta das 11h30 ao cemitério Jardim da Colina, em São Bernardo do Campo, para participar da parte final do velório e da cremação de seu neto Arthur Araújo Lula da Silva, de sete anos. O menino foi vítima de meningite meningocócica bacteriana.

Dezenas de pessoas esperavam por Lula na entrada de cemitério. Ele entrou rapidamente, não sem acenar aos cumprimentos e gritos emocionados do público. A prisão que irá completar um ano não abalou seu carisma, foi o que se viu. Em terno preto e camisa branca, sem gravata, o ex-presidente aparentou boa forma, caminhando a passos rápidos.

Dentro do cemitério, ele foi recebido pelo filho Sandro e sua mulher Marlene, pais de Arthur. Muitos parentes e amigos aguardavam a presença dela. O ex-presidente negociou pessoalmente com os policiais de sua escolta uma permanência de uma hora e meio junto à sua família.

Acompanhe texto anterior de BR:

BNo velório do pequeno Arthur, o choro e o soluçar da família Lula da Silva envolveram durante toda a madrugada deste sábado 2 o pequeno caixão branco, perto do qual os pais colocaram a bola de futebol e o par de chuteiras que o menino usava. Ninguém conseguia entender. Saudável até momentos antes de dar entrada no hospital Bartira, por volta das sete da manhã da véspera, com dores na barriga, o neto do ex-presidente Lula foi abatido pela versão bacteriana, a mais grave, da meningite meningocócica. Seu quadro de saúde resultou em óbito em apenas cinco horas. Não havia palavra de consolo, só estupefação pela tragédia.

A doída emoção no velório do cemitério Jardim da Colina só irá aumentar hoje. O avô que Arthur foi visitar duas vezes na sede da PF, em Curitiba, onde está preso, estará presente para dar-lhe o último beijo, o último adeus. Até que a prisão apartasse Lula do seu convívio, Arthur era, entre os cinco netos, o mais agarrado ao ex-presidente. Suas feições remetiam à vovó Marisa Letícia, com quem ele também brincava muito até o falecimento dela, dois anos atrás. Quando Marisa morreu, Sandro, filho de Lula, e Marlene, sua mulher, passaram dias morando junto do ex-presidente, em São Bernardo, como forma de amparo. Nesse período, a convivência de Lula e o pequeno Arthur só fez aumentar.

Duas viaturas da polícia postaram-se, durante a noite, com as luzes giratórias ligadas, alguns metros depois da entrada do cemitério – de fato uma colina com alamedas amplas e ar tranquilo. À meia-noite, mais de vinte jornalistas aguardavam do lado de fora, misturados a jovens moradores de conjunto habitacional contíguo, que viram no movimento extra um ponto de curiosidade. Lá dentro, os familiares de Arthur trocavam poucas palavras entre si. Dizer o que?

Dentro em pouco, a emoção no velório na colina também só irá aumentar. O avô Lula já havia chegado em São Paulo, às 9h15 deste sábado 2, para ir até lá dar seu último beijo, seu último adeus ao menino que tão cedo foi para o céu.

Acompanhe:  

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde cumpre pena, para ir ao velório do neto, às 7h deste sábado (2). Arthur Lula da Silva, de 7 anos, morreu nesta sexta-feira (1º) vítima de meningite meningocócica, em São Paulo.

O ex-presidente saiu da sede da Polícia Federal (PF) em um helicóptero da Polícia Civil e seguiu para o Aeroporto do Bacacheri, também na capital, e embarcou em uma aeronave do governo do Paraná. O avião decolou do terminal aéreo às 7h19.

A autorização para que o ex-presidente participasse do velório do neto foi concedida pela juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Criminal Federal de Curitiba.

As circunstâncias do transporte até o local não foram informadas pela Justiça. O processo de execução penal do ex-presidente está sob sigilo. O Governo do Paraná colocou à disposição o avião do estado para fazer o transporte do ex-presidente até São Paulo.