Procuradoras da Lava-Jato chamam STF de “circo” e ministros de “mafiosos” em diálogos revelados; indicação de Moro à Corte fica inviabilizada, dizem juízes

Entre as mensagens dos personagens da operação Lava-Jato que vieram a público a partir do site Intercept estão conversas de procuradores do MPF reagindo com indignação à decisão do STF de autorizar a Folha de S. Paulo a entrevistar Lula pouco antes do primeiro turno da eleição de 2018. Depois de idas e vindas na corte, o caso teria desfecho apenas neste ano — o jornal só recebeu permissão para falar com o petista em abril.

Segundo o Intercept, o procurador Athayde Ribeiro Costa sugeriu na época que a Polícia Federal adotasse uma manobra para adiar a entrevista para depois da eleição, sem deixar de cumprir a decisão da Justiça.

A procuradora Laura Tessler fez referência aos ministros do Supremo: “Que piada!!! Revoltante!!! Lá vai o cara fazer palanque na cadeia. Um verdadeiro circo. E depois de Mônica Bergamo [colunista da Folha], pela isonomia, devem vir tantos outros jornalistas… e a gente aqui fica só fazendo papel de palhaço com um Supremo desse…”.

“Mafiosos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”, respondeu a procuradora Isabel Groba.

Tessler, na sequência, afirmou: “Sei lá…mas uma coletiva antes do segundo turno pode eleger o Haddad”, referindo-se ao candidato que substituiu Lula na campanha do PT ao Planalto.

Ouvidos pela Folha, juízes do STF consideram que a divulgação dos diálogos de Moro com a força-tarefa da Lava-Jato inviabilizam a nomeação dele à Corte.

O ex-presidenciável Fernando Haddad escreveu neste domingo em uma rede social que a situação exposta pela reportagem deve ser apurada, para que se esclareça o que ele chamou de farsa.

“Podemos estar diante do maior escândalo institucional da história da República. Muitos seriam presos, processos teriam que ser anulados e uma grande farsa seria revelada ao mundo. Vamos acompanhar com toda cautela, mas não podemos nos deter. Que se apure toda a verdade!”, afirmou Haddad.