Previdência: em teste de fogo, Bolsonaro levará reforma pessoalmente à Câmara amanhã; será bem recebido?

BR: Na espuma da crise aberta pela desgastante exoneração do ministro Gustavo Bebbiano, o presidente Jair Bolsonaro decidiu levar pessoalmente à Câmara, amanhã, o projeto de reforma da Previdência do governo. Pode não ser tranquilo como um passeio no parque em tarde de sol. Além de o projeto se duro, atitudes do governo como a intenção de realizar uma ‘Lava-Jato da Educação’ e a redução de ajuda a estados endividados causam descontentamento no partido dirigente da casa, o DEM. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disparou ao longo da semana mensagens a parlamentares aliados registrando sua insatisfação. Maia mostrou-se um dos principais defensores da manutenção de Bebbiano, a quem dedicou elogios públicos no dia de sua eleição, no governo. Além disso, há o fator oposição, liderada pela bancada do PT, com 57 deputados, que pode causar agitação no plenário da Casa.

A maneira como Bebbiano foi exonerado também tem potencial para causar reflexos negativos para o presidente. Muito próxima a Bolsonaro, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) disse que o episódio causou “um ferimento” na relação entre governo e Congresso.

– De fato, nós tivemos ali um ferimento, é uma ferida na relação Congresso/governo, porque os líderes começaram a me dizer o seguinte: ‘Poxa vida, então a gente vai ser tratado assim também? Será que a gente vai ser tratado, vai ser fritado em praça pública?’, contou a deputada aos jornalistas, em Brasília.

Ao lado da ida à Câmara – para onde o jogo político passará a estar centrado nas próximas semanas, em razão da tramitação da reforma -, Bolsonaro ainda vai decidir entre dois caminhos de comunicação de massa: ou ocupar uma cadeia de rádio e TV, ou se manifestar em vídeo por meio de suas redes sociais. Esta última alternativa é a que ele tem preferido até aqui. O conteúdo será apresentar a reforma da Previdência como algo novo e positivo para a população.

O chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, está escalado como principal articulador político do governo para a reforma. A equipe econômica chefiada por Paulo Guedes, no entanto, aposta no secretário especial da Previdência, Rogério Marinho, para conquistar os apoios entre os parlamentares. Ele foi o relator do projeto de reforma trabalhista, que passou em 2018 um verdadeiro trator sobre grande parte das regras da legislação trabalhista anterior, obtendo grande apoio entre os deputados.