Previdência: após ser chamado de ‘traidor’, Bolsonaro atua para garantir equiparação de policiais a militares, mas revolta centrão e Maia, que até ameaça desistir; vídeo

BR: Na reta final de tramitação da reforma da Previdência na Comissão Especial, surge o maior problema até aqui. O presidente Jair Bolsonaro entrou pessoalmente em cena nesta quarta-feira 3 para fazer com que as categorias de policiais civis, militares, bombeiros, agentes de segurança e carreiras correlatas sejam equiparadas, no texto final da reforma, aos militares das Forças Armadas. Na véspera, em atos dentro e fora do Congresso, ele foi chamada de nada menos que “traidor” por manifestantes das categorias não contempladas com a equiparação.

O problema, e dos grandes, é que a intervenção de Bolsonaro a favor dos policiais revoltou os parlamentares do centrão, bloco informal de partidos que, com seus cerca de 200 votos, pode desequilibrar toda e qualquer votação no plenário da Câmara. Os deputados entendem que, se Bolsonaro pode proteger que o critica, eles próprios também podem salvaguardar outras categorias em que têm base eleitoral.

Na prática, a sucessão de mudanças no texto que essa fórmula despertaria acabaria, na prática, com a reforma da Previdência.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, chegou a dizer a interlocutores na tarde de hoje que pensa até em desistir da reforma se Bolsonaro conseguir seu intento.

Durante esta tarde, o deputado Samuel Moreira, relator do texto na Comissão Especial, recolheu-se para reescrever seu relatório, construindo uma terceira versão da peça. O temor do centrão é o de que Moreira ceda à pressão de Bolsonaro e equipare os policiais aos militares. Esse gesto abriria uma porteira de exceções.

O presidente nacional do PRB, deputado Marcos Pereira (SP), que é vice-presidente da Câmara, disse ao colunista Tales Faria, do UOL:

“Se abrir para uma categoria todas as outras irão querer também. Se Paulo Guedes disser que quer voltar atrás, aí nos avaliaremos.”

O ministro da Economia foi chamado, assim, a trabalhar junto ao presidente pela manutenção dos policiais como categoria diferenciada em relação aos militares.

Em caso de Guedes não conseguir, ou nem mesmo tentar trombar com o chefe, a sua própria reforma pode ir por água abaixo na reta final de tramitação.

A ver cenas dos próximos capítulos.