Pressão ampliada; Moraes prorroga por mais 90 dias inquéritos que envolvem Bolsonaro e aliados; fake news digital e interferência indevida na PF; presidente sem trégua

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu nesta segunda-feira (11) prorrogar, por 90 dias, dois inquéritos relacionados ao presidente Jair Bolsonaro e a seus aliados. Relator dos dois casos, Moraes deu prazo extra às investigações:

  • sobre suposta interferência política de Bolsonaro no comando da Polícia Federal;
  • sobre uma suposta milícia digital que teria atuado contra a democracia e o Estado democrático de direito.

As duas investigações estão a cargo da Polícia Federal. No caso da ‘milícia digital’, a delegada Denisse Dias Rosas Ribeiro já havia pedido a prorrogação ao STF na última semana.

No inquérito sobre a suposta interferência presidencial na PF, Moraes já havia determinado na última quinta (7) que a corporação tomasse o depoimento de Jair Bolsonaro em até um mês. Essa deve ser uma das últimas diligências realizadas pelos policiais na investigação.

‘Milícia digital’

A PF apura indícios e provas que apontam para a existência de uma organização criminosa que teria agido com a finalidade de atentar contra o Estado democrático de direito e que se articularia em núcleos de produção, publicação, financiamento e político. Outra suspeita é de que esse grupo tenha sido abastecido com verba pública.

Uma das diligências pendentes é o depoimento do escritor Olavo de Carvalho. A PF quer apurar se há ligação do escritor com a suposta milícia digital. Os investigadores já ouviram blogueiros e youtubers que apoiam o governo do presidente Jair Bolsonaro. Veja no vídeo abaixo:

PF instaura inquérito para apurar suposta formação de milícia digital para atentar contra a democracia
https://imasdk.googleapis.com/js/core/bridge3.485.1_pt_br.html#goog_389654601–:–/–:–

PF instaura inquérito para apurar suposta formação de milícia digital para atentar contra a democraciahttps://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

A investigação se concentra em descobrir:

  • se esses produtores de conteúdo recebem doações,
  • como fazem a monetização dos canais e
  • se eles tinham conhecimento ou não de fraudes no sistema do TSE.

Nos depoimentos, a maioria dos “influencers” bolsonaristas admitiu que não tem conhecimento de problemas no sistema. Eles dizem que estavam apenas emitindo opiniões pessoais.

O inquérito foi aberto no começo de julho, após o ministro Alexandre de Moraes ter determinado o arquivamento do inquérito que investigou atos antidemocráticos deflagrados no início do ano passado. O arquivamento atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República.

“Considerando a expiração do prazo de permanência do inquérito em sede policial, bem como a necessidade de prosseguimento das investigações, determino: sigam os autos ao crivo do Exmo. Sr. Ministro Relator, para ciência e concessão de novo prazo para continuidade da apuração”, diz o documento assinado pela delegada Denisse Dias Rosas Ribeiro, que comanda a apuração.