Presidente do Banco do Brasil faz guerra ideológica contra esquerda e minorias: “Tentaram impor cidadão normal como exceção e exceção como regra”

BR: O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, virou um militante político do governo na guerra ideológica contra “a esquerda e o empoderamento das minorias”, segundo expressão dele próprio. Pelo que ele disse, apenas o “cidadão normal” é bem-vindo ao banco estatal. Não fica claro na entrevista, porém, o que Novaes considera “normal”.

À BBC Brasil, Novaes não apontou nenhuma questão técnica e só justificou com posições políticas a suspensão da veiculação do filme  publicitário do Banco do Brasil com foco na diversidade social dos clientes da instituição.

Em sua justificativa, o presidente do Banco do Brasil afirmou, na prática, que apenas cidadãos que ele considera “normais” são bem-vindos ao banco, rechaçando qualquer compreensão positiva sobre as minorias sociais.

Leia abaixo o texto da entrevista por escrito de Novaes à BBC News Brasil:

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, defendeu que o veto do presidente Jair Bolsonaro a uma propaganda da estatal voltada ao público jovem tem que “ser visto em um contexto mais amplo em que se discute a questão da diversidade no país”, tendo em vista que na eleição “um povo majoritariamente conservador” rejeitou a sociedade alternativa que “os meios de comunicação procuravam nos impor”.

Em resposta à BBC News Brasil, Novaes afirmou neste sábado (27) que a esquerda tentou empoderar minorias e caracterizar o cidadão “normal” como exceção.

“Durante décadas, a esquerda brasileira deflagrou uma guerra cultural tentando confrontar pobres e ricos, negros e brancos, mulheres e homens, homo e heterossexuais etc, etc. O ‘empoderamento’ de minorias era o instrumento acionado em diversas manifestações culturais: novelas, filmes, exposições de arte etc., onde se procurava caracterizar o cidadão ‘normal’ como a exceção e a exceção como regra”, disse.

O posicionamento de Novaes foi enviado por escrito por meio da assessoria de imprensa da instituição, após a reportagem da BBC News Brasil questionar se, na avaliação dele, o episódio abriria caminho para o veto de questões ligadas à diversidade em publicidade de estatais.

Na resposta, o presidente do Banco do Brasil afirmou também que, nas últimas eleições, “diferentes visões do mundo se confrontaram e um povo majoritariamente conservador fez uma clara opção no sentido de rejeitar a sociedade alternativa que os meios de comunicação procuravam nos impor”.

Inicialmente, o Banco do Brasil tinha evitado entrar em uma discussão sobre ideologia. Também por meio da assessoria de imprensa, havia informado nesta sexta-feira (26) que o presidente da instituição “considerou que faltaram outros perfis de jovens brasileiros que o banco busca alcançar com suas campanhas de publicidade”, ao justificar a retirada do vídeo do ar.

Vídeo marcado pela diversidade

O jornal O Globo revelou nesta quinta-feira (25) que, por ordem do presidente Jair Bolsonaro, o Banco do Brasil retirou do ar vídeo de uma campanha voltada ao público jovem.

Funcionário de carreira do banco, o diretor de Marketing e Comunicação, Delano Valentim, foi destituído do cargo. Segundo a assessoria do Banco do Brasil, ele está em férias e o destino dele dentro da instituição será discutido após o retorno.

Com 30 segundos, o vídeo é voltado para o público jovem e estimula a abertura de contas do Banco do Brasil por meio de aplicativo. A peça mostra 14 pessoas, com metade dos atores negros. Jovens com diversos estilos de roupas e cortes de cabelo são retratados fazendo selfies com o celular.