Por que Sergio Moro quer tanto ficar com o Coaf? Órgão não precisou sair da Fazenda para ser útil à Lava-Jato

BR: O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) funcionou como uma perfeita ferramenta de apoio para a Operação Lava-Jato atingir seus objetivos e superar suas metas mais ousadas. Esquemas de corrupção foram descobertos em diferentes partidos políticos, em várias empresas estatais e também em companhias da iniciativa privada. Dezenas de prisões e resgates bilionários de dinheiro desviado dos cofres públicos foram efetuados. Os principais personagens da força-tarefa ganharam fama nacional e seus atos tiveram repercussão internacional.

Tudo isso aconteceu com o Coaf dentro do organograma do Ministério da Fazenda, atuando em apoio ao comando das investigações no âmbito do Ministério da Justiça, a partir das decisões tomadas, na Vara Federal de Curitiba, pelo então juiz Sergio Moro. Tudo deu certo, a ponto de o próprio Moro, bem afamado, se tornar ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro.

Se tantas vitórias foram alcançadas com o Coaf na Fazenda, hoje Ministério da Economia, porque Moro exigiu a sua mudança para o Ministério da Justiça e, agora, se debate para tentar mantê-lo onde está, sob seu mando direto?

A suspeita de muitos deputados que se opõem à permanência do Coaf na Justiça é a de que Moro queira fazer uso político do órgão, ampliando seus poderes pessoais. Afinal, do ponto de vista administrativo, como seu viu durante todo o desenrolar da Operação Lava-Jato, o Coaf cumpriu à perfeição suas funções técnicas estando no organograma do Ministério da Fazenda. 

Em razão das interpretração de que Moro quer simplesmente ter mais poderes à mão, um quase consenso, com dissidências apenas na bancada do PSL, se formou no Congresso contra a permanência do Coaf na Justiça e a favor de seu retorno para o Ministério da Economia. Após a derrota dos planos de Moro na comissão especial da reforma administrativa, já é dado como certo que o plano terá novo revés no plenário, tendo de ir à voto até o próximo dia 3, sob pela de a MP que estrutura o governo Bolsonaro caducar. O ministro da Justiça já conta com a derrota em seus cálculos políticos.