Brasília - O delegado da Polícia Federal, Franco Perazzoni, durante balanço do segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2017 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por cumprir a obrigação de investigar Salles e madeireiros, delegado da PF é dispensado de Delegacia de Repressão à Corrupção em Brasília; governo Bolsonaro sem retoques

O delegado da Polícia Federal Franco Perazzoni foi dispensado na 5ª feira (17.jun.2021) da função de chefe da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros do Distrito Federal. A portaria foi publicada na 2° feira (21.jun.2021) no DOU (Diário Oficial da União). Quem assume a função é o delegado Gustavo Souza Buquer dos Santos.

Perazzoni liderava a operação Akuanduba, que apura se o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, atuou em favor de madeireiros que exportaram matéria-prima de maneira ilegal. No dia 19 de maio a PF deflagrou uma operação de busca e apreensão em endereços ligados a Salles e ao Ministério do Meio Ambiente.

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Não é a 1° vez que acontece uma mudança na Polícia Federal ligada a operações contra Salles. Em abril, a direção da PF decidiu substituir o superintendente regional do Amazonas, delegado Alexandre Saraiva, que enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido de investigação contra o ministro do Meio Ambiente.

Segundo notícia-crime assinada por Saraiva, Salles teria atuado para obstruir uma investigação que culminou em apreensão histórica de madeira ilegal. Um dia após apresentar uma noticia-crime, Saraiva foi afastado dessa função e removido para Volta Redonda (RJ).

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, no início de junho, Saraiva declarou que o ministro do Meio Ambiente atua de forma “claríssima e inédita” em favor de madeireiros. “E isso, eu posso dizer com tranquilidade porque foi gerado um vídeo por ele mesmo em que ele confessava o que estava fazendo. Então, a atuação dele é claríssima e inédita. Isso aí, fora de dúvida. Isso [a pressão de ministro] nunca aconteceu [comigo]”, afirmou o delegado.

Em abril, Salles disse que a “demonização” do trabalho dos empresários de madeira pode colaborar com o aumentar do desmatamento ilegal no país. A declaração foi dada em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

Procurada pelo Poder360, a Polícia Federal não retornou o contato até o fechamento desta reportagem.

Esta reportagem foi produzida pela estagiária em jornalismo Lorena Fraga, sob supervisão da editora-assistente Alice Cravo