Policiais armados invadem sindicato, alegam ordens do Exército e questionam reunião que organizava protesto contra Bolsonaro em Manaus; “É assim que se põe em risco o Estado de Direito”, escreve Ricardo Noblat

Uma reunião de sindicalistas que planejam manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL), em Manaus, foi interrompida por três policiais rodoviários federais armados na tarde de ontem. O episódio é emblemático por ter sido inédito no Brasil desde a redemocratização, em 1985. O colunista Ricardo Noblat, da revista Veja, assinalou que “é assim que se põe em risco o Estado de Direito”, referindo-se à cena da invasão da entidade de professores por policiais armados.

Ficou a sensação, ainda, que métodos típicos do regime chavista, da Venezuela, de pressionar e impedir a oposição de se organizar, despontaram no Brasil presidido por Jair Bolsonaro.

Os policiais entraram na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Amazonas (Sinteam), onde acontecia o encontro, e quiseram saber como seriam as manifestações durante a visita de Bolsonaro, que estará em Manaus amanhã.

“Eles disseram que estavam a mando do Exército Brasileiro, que está cuidando da segurança do presidente”, disse ao BNC, a presidente do Sinteam, Ana Cristina.  “Nós explicamos que todas as nossas manifestações são pacíficas. E que vamos exercer nosso direito democrático de discordar das ações do governo, pois entendemos que o estado, do jeito que está, não pode ficar”, completou.

Os policiais ainda ficaram na sede do Sinteam por cerca de 20 minutos, acompanhando a reunião. Depois foram embora.

Bolsonaro em Manaus

O presidente Jair Bolsonaro vem a Manaus pela primeira vez depois de eleito. Ele participa de solenidade no Colégio Militar da Polícia Militar e depois abre a reunião do Conselho Administrativo da Suframa (CAS).