Planilha do PCC mostra aluguel de mansões para visitantes de presos em cadeias federais; familiares de detentos da facção recebiam mensalidade

Planilhas apreendidas durante a investigação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) contra uma fação criminosa ligada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro mostram o esquema de pagamento a criminosos.

A quebra do sigilo bancário dos suspeitos confirmou o esquema do Primeiro Comando da Capital (PCC). A folha de pagamentos é muito organizada. Traz o nome do criminoso, o presídio onde ele está, quem vai receber o dinheiro em nome dele, a quantidade e a conta bancária da pessoa.

Para presos comuns, eram destinados R$ 1,5 mil por mês. Quem foi enviado a um presídio federal por pertencer à facção ou se ocupa função de liderança recebia R$ 3 mil. Já se ele estivesse preso por crimes estratégicos para facção, o valor era de R$ 4 mil.

“Nós identificamos depósitos em mais de 300 cidades”, disse o coordenador da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), Alexsander Castro.

Mansões eram alugadas para hospedar os visitantes de presos transferidos para penitenciárias federais — Foto: Reprodução/TV Globo

Mansões eram alugadas para hospedar os visitantes de presos transferidos para penitenciárias federais — Foto: Reprodução/TV Globo

No ano passado, mais de cem chefes da facção foram transferidos de penitenciárias estaduais para o sistema federal. Nas planilhas apreendidas, a polícia encontrou também a contabilidade da manutenção de casas de apoio, alugadas para hospedar os visitantes desses presos, como duas mansões que ficam em Campo Grande.

Com o aluguel, água, luz, compras de supermercado e até o serviço de piscineiro, a quadrilha gastava R$ 12 mil por mês.

Segundo a investigação, a facção tem casas iguais em todas as cidades com presídio federal.

Segundo ele, a força-tarefa se debruçou sobre essa investigação por quase um ano.

“Todo efetivo que foi envolvido nessa operação, é um volume de dados realmente muito grande, mas nós temos policiais que são capacitados em investigações financeiras, bancárias e que conseguiram fazer esse trabalho hercúleo”, disse.