Planaltina´s: PSL de Bolsonaro tem a cara do PRN de Collor, que cresceu e desapareceu

Planaltina´s: Ninguém vai morrer de tédio no Governo Bolsonaro.

O presidente ontem provocou uma crise interna em seu partido, usado na campanha passada, ao segredar para todo mundo que a legenda está queimada.

E ele nem falava do “laranjal” criado pelo ministro do turismo, Marcelo Álvaro, mas do presidente da sigla, Luciano Bivar, o mentor dos laranjas e de outras estrepolias.

Se Bolsonaro trocar de partido em menos de um ano de mandato, vai continuar colecionando prêmios de performances políticas originais. Inéditas. Tresloucadas. 

Tenta-se fazer um paralelo entre o PSL e o PRN, de Fernando Collor. Mas o partido deste só morreu depois do impeachment. Antes, floresceu do nada.

PSL (Partido Social Liberal), do candidato à Presidência Jair Bolsonaro, elegeu 52 deputados federais na votação de 7 de outubro de 2018. O número de cadeiras conquistadas surpreendeu sobretudo as lideranças do PSL, que, até então, contava apenas com oito deputados federais. 

O caso do PRN (Partido da Reconstrução Nacional), hoje PTC (Partido Trabalhista Cristão), foi mais ou menos assim.

As origens do PRN remontam a 1985, após o fim da ditadura militar. Inicialmente, era o Partido da Juventude. Com uma estrutura muito pequena, o PJ participou das eleições municipais daquele ano, mas teve um desempenho inexpressivo. Na época, a sigla não tinha representantes no Congresso e, por isso, contava com pouco tempo de propaganda no horário eleitoral na TV e no rádio. O PJ só conseguiu ter representante na Câmara em 1988, quando o então deputado paulista Arnaldo Faria de Sá deixou o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) para se filiar à sigla. 

O PJ passou a ter projeção a partir da filiação do então governador de Alagoas Fernando Collor de Mello, em 1989, ano da primeira eleição presidencial após a ditadura. Antes, Collor, governador de Alagoas, era do PMDB. 

Com a filiação de Collor, o PJ também trocou de nome. Tornou-se então PRN. A partir daí, elaborou um manifesto no qual se definia como um partido liberal-democrático e defendia a retomada do crescimento econômico a partir da redução da interferência do Estado na economia. Collor foi lançado como candidato do PRN à Presidência da República e venceu as eleições de 1989, numa disputa de segundo turno contra o petista Luiz Inácio Lula da Silva. Há uma questão que diferencia aquele período: os eleitores escolheram apenas presidente em 1989. Os outros cargos em Brasília, para a Câmara e para o Senado, foram disputados em 1990, ano seguinte. O PRN elegeu 40 deputados federais e cinco senadores na esteira do presidente. O PRN, então, sofreu um esvaziamento. Em poucos meses, a maioria dos integrantes abandonou o partido. Em alguns estados, como São Paulo, os diretórios da sigla foram extintos. Em 2000, o PRN alterou seu nome para PTC (Partido Trabalhista Cristão), mas manteve a liderança de seu fundador, Daniel Sampaio Tourinho. Collor se desfiliou da legenda em 2007, mas retornou a ela em 2016.

O desempenho do PSL, partido de Bolsonaro, conseguiu eleger 52 deputados federais. Um partido que corria o risco de se extinguir passou a ser a segunda força na Câmara.

Já o PSL concorreu na mesma eleição, que foi conjunta. E ficou com as vantagens de ser a legenda do candidato favorito no final do primeiro turno.

Enfim,  PRN e PSL eram dois partidos que praticamente não existiam e ganharam uma força que não estava prevista em nenhum dos casos. As circunstâncias das eleições de 1990 e de 2018 são completamente diferentes. Os próprios partidos em questão também são diferentes do ponto de vista ideológico e político. O PRN era um partido de tendência oligárquica, tradicional. O PSL é um partido de extrema-direita, mais ideológico. O PRN era fisiológico. Partidos ideológicos orientam-se mais por convicções do que por interesses. O PSL é assim: seus seguidores e seus militantes seguem ideias e “mitos” de forma fanática. Apesar dessas diferenças, a comparação mais interessante é que ambas as legendas cresceram por forças espontâneas e foram impulsionadas pelo magnetismo dos próprios candidatos [Collor e Bolsonaro]. Em momentos muito polarizados como nos dois casos, o candidato que funciona como polo magnetiza os eleitores. 

Se trocar o fio, a sigla desaparece.