Perdendo a guerra; PF já informou Congresso que política de armas de Bolsonaro reforça fortemente o crime organizado

Com inúmeros decretos, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem ampliado o direito à posse de armas no Brasil. No entanto, documentos obtidos pela Reuters mostram que a própria Polícia Federal não apoia as medidas do presidente. Embora o órgão também seja um simpatizante do governo, muitos oficiais alertam sobre as políticas armamentistas do governo.

Em ao menos oito posições institucionais formais enviadas ao Congresso entre 2018 e o início de 2022, policiais federais disseram que as propostas de Bolsonaro tornam mais difícil garantir a segurança no país.

“Consideramos todas essas mudanças um retrocesso na política pública de controle de armas de fogo prevista na legislação atual”, escreveu o órgão em dezembro de 2019 aos parlamentares logo após o Projeto de Lei 3723.

Para a PF, caso o projeto de afrouxamento de compra e posse de arma seja aprovado no Congresso, “resultará, sem dúvida, no retorno da situação caótica no país de excessiva oferta de armas de fogo, inclusive ilegais, em circulação, podendo tornar muito piores os índices de criminalidade”.

Desde o início das políticas pró-armas de Bolsonaro, o número de brasileiros que registram posse de armas aumentou seis vezes em 4 anos, chegando a quase 700.000, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em junho. Em apenas três anos, Bolsonaro assinou pelo menos 41 decretos para reverter restrições à posse de armas, de acordo com o Instituto Sou da Paz.

Os documentos da PF mostram a discordância em relação à agenda pró-armas de Bolsonaro. Ao menos cinco oficiais de alto escalão expressaram preocupações à Reuters sobre a política de armas do atual governo, mas por conta das pressões políticas internas, eles não se manifestam. Já no final de 2019, afirmaram que a situação de segurança do Brasil exigia medidas rígidas de controle de armas.