O ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, debate a reforma da Previdência (PEC 6/19).

Guedes parte para a chantagem: “Pego um avião e vou embora”; Marinho articula em silêncio; por mal ou por bem, Previdência entra na hora da verdade

BR: Com nova ameaça de pedir demissão do cargo, o ministro Paulo Guedes se consolida como o trombone da reforma da Previdência. Suas manifestações ressoam alto, encobrem as demais e não admitem interferências. Em entrevista à revista Veja que circula nesta sexta-feira 24, ele reafirma que ou a reforma é aprovada pelo Congresso no diapasão que ele estabelece, admitindo, quando muito, uma economia de R$ 800 bilhões em dez ano, ou ele não vai nem ficar no País para ver o que acontece. “Pego um avião e vou viver lá fora”, disse, culpando os políticos e a mídia por não colaborarem, como ele exige, com seu projeto.

No outro lado da mesma estratégia do governo para aprovar a reforma, o secretário especial da Previdência, Rogério Marinho, assegura seu lugar no processo como um ajustado violinista. Na mesma edição de Veja, um perfil dele o apresenta como trabalhador até altas horas, discreto e focado em não entrar nas muitas brigas que o governo Jair Bolsonaro patrocina em público. Ao contrário de Guedes, Marinho sabe que a aprovação do projeto passa por conversas ora técnicas, ora de pé de ouvido com os deputados, e não por berros e reptos como os costumeiramente proporcionados pelo ministro da Economia.

À Vejam Guedes disse pelo menos quatro vezes, com imagens diferentes, que irá renunciar ao cargo se a reforma pretendida pelo governo virar uma “reforminha”. Segundo ele, o Brasil pode quebrar já em 2020, tornando-se um país como iguais características de Argentina e Venezuela. “Pego um avião e vou morar lá fora. Já tenho idade para me aposentar”, disse ele, no que muitos poderão qualificar como verdadeira chantagem com o País. “Se não fizermos a reforma, o Brasil pega fogo. Vai ser o caos no setor público, tanto no governo federal como nos Estados e municípios”, prosseguiu.

“Eu não sou irresponsável. Eu não sou inconsequente. Ah, não aprovou a reforma, vou embora no dia seguinte. Não existe isso. Agora, posso perfeitamente dizer assim: ‘Olha, já fiz o que tinha de ter sido feito. Não estou com vontade de ficar, vou dar uns meses, justamente para não criar problemas, mas não dá para permanecer no cargo’. Se só eu quero a reforma, vou embora para casa”, disse Guedes na entrevista.

De acordo com a Veja, Guedes afirmou que o presidente Jair Bolsonaro está totalmente empenhado em aprovar a reforma nos moldes em que o projeto foi enviado pelo governo ao Congresso, com expectativa de economia de até 1,2 trilhão de reais nos próximos dez anos.

Guedes reconhece que há uma margem de negociação, que pode no máximo ir a 800 bilhões de reais. Disse ainda que a reforma previdenciária não está sendo apresentada apenas para equilibrar as contas públicas, mas que também se propõe a corrigir enormes desigualdades, de acordo com a revista. O ministro reafirmou sua confiança nas convicções de Bolsonaro e acredita em uma união política em torno da agenda econômica do governo. “Eu confio na confiança que o presidente tem em mim.” ffffffffff