Pastore vê “crescimento nulo” no 1º trimestre e risco de mais frustração “mesmo com reformas”; Focus põe alta do PIB pela 1ª vez abaixo de 2%

BR: Um dos mais experientes economistas do País, o ex-presidente do BC Afonso Celso Pastore avaliou nesta segunda-feira 1 que não haverá  crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre. “O desempenho será nulo”, disse ele, em debate na sede do jornal O Estado de S. Paulo. “Mesmo com as reformas, não há condições para crescer no curto prazo”, prosseguiu. Ele assinalou que as projeções já convergem para um crescimento do PIB em 2019 de 1,5%, contra até 2,7% de expectativas divulgadas no final do ano passado em relação ao desempenho em 2019.

Na mesma linha de redução de expectativas, o Boletim Focus, do Banco Central, apontou para um crescimento inferior a 2% em 2019. Foi a primeira vez que as projeções ficaram abaixo desse percentual desde o início do governo Bolsonaro.

Conforme o Relatório de Mercado Focus, a pesquisa semanal feita com analistas de instituições financeiras, divulgado nesta segunda-feira, 1.º, pelo Banco Central, a projeção mediana passou a ser de alta de 1,98% do PIB este ano.

O Sistema de Expectativas de Mercado do Focus indicou, porém, que algumas instituições financeiras projetam um desempenho ainda pior para a economia. Pelo menos uma delas projeta alta de apenas 1,1% para o PIB em 2019 – porcentual igual ao verificado em 2017 e 2018.

Na prática, caso esta expectativa mais pessimista se confirme, o País terá crescido pouco mais de 1% por três anos consecutivos, sem efetiva aceleração da atividade econômica.

Em um ambiente de inflação baixa e atividade ainda fraca, os economistas do mercado financeiro também esperam pela manutenção da Selic (a taxa básica de juros) no atual patamar, de 6,5% ao ano, pelo menos até maio de 2020, quando a taxa subiria para 6,75% ao ano.