Palestra não declarada: Moro quer flexibilidade para seu erro, mas segue implacável com falha do outro; espírito democrático ou mentalidade fascista?

BR: O ministro da Justiça, Sergio Moro, notabilizou-se como um juiz rígido, de semblante fechado, perguntas diretas e adepto de penas duras para os réus que passaram por seu tribunal de primeira instância em Curitiba. Diante de seus próprios erros, porém, Moro apresenta uma outra face, bem mais branda e suave, disposta a classificar como “mero lapso” o que, na figura do outro, ele facilmente interpretaria como falha grave e até mesmo crime.

É o que se vê no episódio da palestra que, segundo apuração do jornal Folha de S. Paulo, Moro fez em faculdade do Rio Grande do Sul, recebeu remuneração, mas não realizou a devida comunicação ao TRF-4, como manda a lei.

Em lugar de simplesmente admitir que errou, Moro abriu baterias contra o veículo que levantou e publicou a notícia. Mais ainda, foi ao Twitter cobrar da própria Folha uma admissão de culpa quando, na verdade, o jornal não errou. Até agora, Moro não revelou quanto, exatamente, recebeu por sua palestra e, igualmente, não fez uma autocrítica à altura de toda a sua rigidez com muitos de seus réus. O que nos outros Moro puniu exemplarmente, em seu caso pessoal ele atribuiu, repita-se, a um “mero lapso” para tentar empurrar o assunto para debaixo do tapete.

Cobrar apenas do outro o que em si mesmo é permitido é típico, isso sim, de mentalidades fascistas.

Num tuíte, Moro expressou toda a sua concepção de dois pesos e duas medidas, exigindo um mea culpa que a Folha não tem nenhum motivo concreto para fazer.

Acompanhe:

“Folha não pode simplesmente reconhecer que errou. Palestra à luz do dia, doação de valores à caridade, pessoas com deficiência, valores declarados, cadastro de palestras no TrF4 criado só no ano seguinte, nota de resposta não publicada, nada a esconder”, eoscreveu o ex-juiz.

Nenhuma autocrítica a respeito do próprio erro.

“Folha não pode simplesmente reconhecer que errou. Palestra à luz do dia, doação dos valores à caridade, pessoas com deficiência, valores declarados, cadastro de palestras do TrF4 criado só no ano seguinte, nota de resposta não publicada, nada a esconder”