Ordem não cumprida foi o que mais irritou Bolsonaro contra formuladores do Enem; chamar golpe de 64 de “revolução” não foi possível em razão dos fatos

O caso envolvendo as denúncias feitas por ex-servidores do Inep sobre o Enem 2021 continua a todo vapor! Na manhã desta sexta-feira, 19, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma reportagem dizendo que o presidente Jair Bolsonaro pediu para que o Golpe de 64 fosse tratado como “revolução” no exame. O pedido teria sido feito ao ministro da Educação, Milton Ribeiro, que teria repassado a ordem ao MEC.

Por não ter embasamento histórico, ou seja, não ser pautada em fatos, a solicitação não foi atendida – mas acabou sendo divulgação à Imprensa. A ordem também era de censurar questões sobre igualdade e identidade de gênero, orientação sexual e racismo.

Inclusive, vale destacar que, desde 2019, quando Bolsonaro assumiu o poder, mais nenhuma questão sobre a Ditadura Militar (1964-1974), tema de História bastante comum nas provas, apareceu no exame. Não curiosamente, o presidente, um capitão do exército reformado, é um defensor assíduo do golpe e dos anos de chumbo. Em diversos momentos de sua carreira política, se demonstrou a favor do fechamento do Congresso, da tortura e já espalhou fake news sobre o assunto, dizendo, por exemplo, que, “graças aos militares, hoje temos democracia”. Em 2016, quando ainda era deputado pelo Rio de Janeiro, Bolsonaro participou do Programa Pânico, da Jovem Pan, e disse que “o erro da Ditadura foi torturar e não matar” Dilma Rousseff. Ele também já minimizou torturas, que historicamente são comprovadas e aconteceram durante o período militar, e homenageou figuras como o coronel Carlos Brilhante Ustra, um dos torturadores mais temidos da Ditadura brasileira.

Nesta semana, durante comitiva oficial no Oriente Médio, Jair Bolsonaro declarou que finalmente as questões do Enem estão tendo a cara do governo, o que gerou muita desconfiança, uma vez que a declaração foi dada após 37 servidores do Inep terem pedido demissão de seus respectivos cargos, alegando que o Governo estava interferindo nas provas e que colocaram até a presença de um policial federal no local onde o exame é elaborado, para pressionar e fiscalizar. Na sequência, Milton Ribeiro, ministro da Educação, tentou acalmar os ânimos, dizendo que as pessoas tinham incompreendido o presidente mais uma vez, que falou que o Enem terá a cara do governo “no sentido de competência, honestidade e seriedade”.