Oposição diz que reprodução por Bolsonaro de vídeo com crítica a professora ‘doutrinadora’ é hostil à categoria; assista

O presidente Jair Bolsonaro publicou em suas redes sociais um vídeo no qual uma estudante de cursinho e apontada como secretária do PSL questiona as opiniões de uma professora sobre o escritor Olavo de Carvalho, considerado o “guru” de seus seguidores. Ao comentar o filme, o presidente afirmou que “professor tem que ensinar e não doutrinar” e voltou a defender o projeto Escola Sem Partido, “não pode existir apenas um lado nas salas de aula”. “Nós queremos a escola sem partidos ou, se tiver partidos, que tenha os dois lados. Não pode é ter um lado só na escola, isso leva ao que não queremos”, declarou o presidente.

Assista:

https://twitter.com/jairbolsonaro/status/1122466597644505089

No apartamento do filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que neste domingo comemorou aniversário, Bolsonaro disse que o vídeo mostra uma aluna confrontando uma professora de gramática depois de ela afirmar que Olavo de Carvalho é “uma anta porque mete o pau em tudo”. A estudante, então, avisa que filmou a aula e afirma ter perdido 25 minutos ouvindo opiniões político-partidárias e não aprendendo gramática. “Não estou pagando cursinho para isso”, reclama, informando ainda que vai procurar o diretor da instituição, que não teve o nome revelado.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que filmar professores em sala de aula “é um direito dos alunos”. “Não incentivo ninguém a filmar uma conversa na rua, mas as pessoas têm o direito de filmar. Isso é liberdade individual de cada um. Vou olhar os casos com calma. Não faremos nada de supetão”, afirmou o ministro. 

Manuela D’Avila (PCdoB-RS), que foi candidata a vice-presidente na chapa do petista Fernando Haddad, afirmou que Bolsonaro, “ao invés de acolher professores, os hostiliza”. E que, “ao invés de estimular respeito, incita ódio”. Já a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) parabenizou Bolsonaro nas redes. “Todo apoio ao presidente (por publicar o vídeo da aluna) e à aluna, que educadamente exigiu o básico: aula! Os professores podem se manifestar, mas os alunos também podem! Só o que pedimos são escolas plurais. Nada além disso!”