Operação Greenfield: procuradores afirmam que Guedes tenta esconder “debaixo do tapete” fraudes que ele teria cometido sobre fundos de pensão

A força-tarefa de procuradores que atuam na operação Greenfield enviou manifestação à Justiça para rebater versão da defesa do ministro Paulo Guedes (Economia) junto ao TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região). Eis a íntegra (133 KB).

Guedes é investigado por supostas fraudes no gerenciamento de fundos de pensão no período de 2009 a 2013. Na semana passada, o desembargador Ney Bello Filho decidiu por suspender as investigações por 40 dias. Ele atendeu a pedido da defesa de Guedes, que disse que o MPF (Ministério Público Federal) omitiu conclusões da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) indicando não ter constatado irregularidades.

Os procuradores da Greenfield afirmaram, por outro lado, que o CVM não examinou o mérito dos casos, “sequer de forma superficial“, mas apenas negou-se a abrir procedimento para apurar, ela mesma, os fatos. “Não é possível afirmar que a CVM tenha absolvido o impetrante”, diz a força-tarefa.

Dessa forma, o esforço de Paulo Guedes para arquivar a investigação sobre o investimento suspeitíssimo na empresa Enesa Participações S.A. deve ser entendido como uma tentativa de colocar para ‘debaixo do tapete’ 1 dano –possivelmente criminal– multimilionário, que hoje contribui para a situação delicada por que passam os maiores fundos de pensão do país –bem como seus participantes, aposentados e pensionistas, que são obrigados a realizar contribuições extraordinárias para colmatar o rombo deixado por administrações anteriores das entidades fechadas de previdência complementar”, completa.

Em nota, a defesa de Paulo Guedes diz que a manifestação do MPF é “prova inequívoca” de que o ministro é alvo de 1 “inquérito ilegal e manifestamente sem provas“. Eis a íntegra:

As informações prestadas pela Força Tarefa Greenfield na data de hoje, no âmbito do HC impetrado em favor de Paulo Guedes, constituem prova inequívoca de que o Ministro encontra-se sendo investigado em um inquérito ilegal e manifestamente sem provas. Apesar de escrever longas 13 páginas, o MPF em nenhuma linha justifica o fato de ter omitido a existência de decisão da CVM, que expressamente reconheceu a lucratividade e legalidade dos fundos “investigados”, eximindo-se, ainda, de sua obrigação processual de ter que juntar aos autos tais documentos que inocentam Paulo Guedes.

Portanto, é descabido e persecutório falar em fraude, e a maior prova disso é que os fundos da gestora de Paulo Guedes deram lucro aos fundos de pensão, conforme expressamente dito, inclusive, pela CVM.