O presidente da Comissão Especial da Câmara sobre a reforma política, deputado Rodrigo Maia, durante reunião da comissão ( Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Onyx tenta fazer ‘puxadinho’ do Planalto na Câmara e Maia rechaça: “Coisa boba!”

Em sua primeira entrevista em profundidade após ser reeleito presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia contou ao jornal O Estado de S. Paulo que o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, tentou articular a instalação de uma sala do Poder Executivo dentro das dependências da Câmara. A estrutura seria usada para despachos de integrantes do governo Bolsonaro com parlamentares. O recado a Maia foi dado pelo ex-deputado Carlos Manato.

“Não vou dar”, respondeu Maia na entrevista ao jornal. “Coisa boba”, classificou, explicando que a independência entre os poderes deve ser respeitada inclusive fisicamente.

Como se sabe, e Maia admite, as relação entre ele e Onyx são péssimas, o que já vai atrapalhando os planos do Executivo de ter maior influência sobre a Câmara. Acompanhe, abaixo, os principais trechos da entrevista de Rodrigo Maia ao Estadão:

Saúde de Bolsonaro X Reformas

Pelo prazo do encaminhamento da reforma, o presidente já não vai estar mais no hospital. Então, ele pode tomar a decisão final sobre qual texto ele vai querer encaminhar. Ninguém vai votar nada de Previdência daqui a duas semanas. Então, é importante que o Onyx vá organizando a base e, quando o presidente tiver condições, pelo menos dê o sinal de que aquilo que o Onyx organizou está “ok” para ele. Claro que a presença do presidente ajuda, mas não atrapalha nem atrasa.

Votos

Sempre me perguntavam se eu achava que ia ter voto ou não. Falei que eu não sei porque é uma forma nova de governar. Não quer dizer que não vai dar certo. Agora, tem de organizar. Até porque o presidente foi eleito, mas o Parlamento também foi eleito. De alguma forma, o Onyx tentou influenciar (na eleição na Câmara). Criar uma candidatura que tivesse um alinhamento maior com a questão dos costumes. Não conseguiu. Mas nunca vi digital do presidente nesse processo. Só dos filhos dele (Bolsonaro) e publicamente.

Onyx

Quem escolhe o interlocutor é o governo, e é o Onyx. Não quer dizer que eu não possa dialogar com o (Gustavo) Bebianno, com quem tenho uma relação hoje de muita confiança. Eu não vou ficar trabalhando da presidência da Câmara para derrubar ninguém. Agora, (eu e Onyx) vamos ter de reconstruir nossa relação de amizade de muitos anos.

Sala de governo

O Executivo fica no Executivo e o Legislativo fica no Legislativo. Já disse a ele (ex-deputado Carlos Manato) que não vou dar. Eu vou ligar agora para o Onyx e falar: ‘Põe uma sala aí para o Parlamento que a gente quer ir comandar daí de dentro, discutindo com vocês suas decisões’. É uma coisa boba, não faz sentido isso.

Reformas

Acho que eu posso ajudar. Já tenho uma certa experiência no comando da Câmara, que me faz ter condições de ajudar, não estou preocupado com o título. Paulo Guedes é nosso líder na área econômica. Não é só arregimentar votos, você precisa organizar com os governadores qual é a pauta deles. Porque nenhum governador vai votar a Previdência só porque ela é importante. Quando você cria uma pauta de cinco itens, incluindo a Previdência, você vai dando condições para que esses governadores comecem a ajudar para a votação da reforma.

Teste com projeto Moro

O próprio Moro já me disse que sabe que a Previdência é prioridade. O dele vai andar, e vamos votar a Previdência antes. O pacote anticrime do Moro não é econômico e não dá para testar com ele.