OMS alerta sobre vacinas acabando em países pobres; África penalizada por falta de compartilhamento

Vários países pobres que recebem vacinas contra covid-19 por meio de um esquema de compartilhamento global não têm doses suficientes para continuar com seus programas de vacinação, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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O conselheiro sênior da OMS, Bruce Aylward, disse que o programa de compartilhamento global Covax distribuiu 90 milhões de doses para 131 países.

Mas ele disse que isso está longe de ser suficiente para proteger as populações de um vírus que ainda está se espalhando pelo mundo.

A escassez ocorre no momento em que algumas nações da África vivem uma terceira onda de infecções.

Também o Brasil vive um momento de incerteza sobre o fornecimento de doses. A cidade de São Paulo suspendeu nesta terça-feira (22/06) a vacinação por falta de doses. No caso brasileiro, o país não depende do esquema global da Covax e tem produzido suas próprias doses ou comprado diretamente dos fornecedores.

Menos de 2%

Na segunda-feira, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa pediu o fim do acúmulo de vacinas pelos países mais ricos, enquanto seu governo luta para conter o aumento acentuado dos casos.

Na África, apenas 40 milhões de doses foram administradas até agora — o que representa menos de 2% da população, diz Ramaphosa.

Para resolver isso, ele disse que seu governo está trabalhando com a Covax para criar um centro regional para produzir mais vacinas na África do Sul.

A Covax foi criada no ano passado para garantir que as doses da Covid-19 fossem disponibilizadas em todo o mundo, com países mais ricos subsidiando os custos para as nações mais pobres.

Liderada pela OMS e outras organizações internacionais, a Covax estabeleceu inicialmente uma meta de fornecer 2 bilhões de doses em todo o mundo até o final de 2021.

A maioria das doses está sendo doada para países mais pobres, onde a Covax espera distribuir vacinas suficientes para proteger pelo menos 20% das populações.

No entanto, a distribuição foi prejudicada por atrasos na fabricação e interrupções no fornecimento, levando à escassez em países que dependem totalmente da Covax.

Uganda, Zimbábue, Bangladesh e Trinidad e Tobago são apenas alguns dos países que relataram ficar sem vacinas nos últimos dias.