O show de Marta

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BR2Pontos_ Em resumo, a ex-prefeita Marta Suplicy está dando, mais uma vez, um show como executiva pública. A quem lhe passa a impressão de vê-la em muitos lugares ao mesmo tempo, com igual dedicação sobre cada tema, ela concorda: “É isso mesmo, estou sim”. Entre as suas ações simultâneas está, neste exato momento, a de congregar mulheres expoentes na sociedade brasileira, com participação popular ativa – que Marta é amiga do povo -, para emprestar um novo valor aos programas de governo dos candidatos do campo democrático, em forma de carta aberta com as reivindicações e contribuições do campo feminino. Vai sair coisa boa.

A também ex-senadora é uma das mães precursoras no Brasil dos movimentos sociais de mulheres enquanto tal, com pautas específicas de reivindicação de direitos, basicamente uma busca pelos mesmos garantidos aos homens, além de uma longa série de especificidades de total importância. Tem, portanto, vasta experiência no tema. Como senadora, liderou a campanha pela ampliação da bancada feminina no Congresso Nacional.

Que ninguém se espante, pela alta qualidade. quando Marta divulgar a lista das mulheres que estarão redigindo e assinando a carta. A ministra Cármem Lúcia, do STF, a senadora Simone Tebet, pré-candidata do MDB à Presidência da República, e a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, já aceitaram tomar parte. Estas mulheres políticas, e muitas mais, vindas da luta presente em ONGs, entidades e nas quebradas dos bairros e periferias, sem dúvida estarão entre debatedoras, mediadoras, escrevinhadoras do plano que incluirá, naturalmente, a pauta LGBTQI+. Sabido é que a iniciativa já ganha repercussão porque, se você notar, essa ex-deputada federal realizada tudo aquilo com que se compromete. Na Globonews, a jornalista Natuza Nery noticiou a iniciativa como a entrada, enfim, dos temas de gênero na corrida presidencial de 2022.

Hoje secretária de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo, Marta tem combinado a atividade política – que inclui claras manifestações públicas e intensas articulações de bastidores pró-Lula – com um trabalho de primeira. Ela esteve na linha de frente da comitiva municipal, liderada pelo prefeito Ricardo Nunes, que foi a Nova York, no final de 2021, encontrar com a nata política e econômica da principal cidade do mundo, para abrir canais de interação em investimentos e projetos para a capital paulista.

Antes, cumpriu um vitorioso périplo pela Europa, onde avistou-se com governantes de diferentes cidades e organismos, num giro de diplomacia internacional paulistana que resultou em compromissos de reabertura de portas, fechadas por Jair Bolsonaro, para a cooperação do Velho Continente com a maior cidade do Brasil. Coincidência (?), Lula a sucedeu num giro semelhante, no patamar presidencial, demonstrando em seguida, também no segundo semestre do ano passado, todo o seu prestígio. Em tempo: reconhecida pelos líderes europeus de seus tempos de prefeita com amplas conexões internacionais, costuma ser surpreendida, na França, por chamados fortemente acentuados – ‘Martá, Martá!’

Se ainda fosse preciso, nova prova da onipresença da ex-deputada federal está no fato de ela ter organizado uma ampla conferência sobre direitos da população negra, com expressiva participação de reconhecidos ativistas internacionais, lançando fortes luzes sobre a cor predominante da desigualdade, o preto. Com a dimensão de um grande evento, reuniu milhares de pessoas em atividades virtuais e presenciais à volta da consciência negra.

Agora, para não perder o hábito da multiplicação de atividades, Marta assume o comando de inovações na área vital do Meio Ambiente na cidade de São Paulo. E já com lição de casa previamente realizada e entregue em cima da mesa. Em remessa à ONU, preparatória para a viagem de negócios públicos a Nova York, no final do ano passado, Marta enviou às autoridades mundiais o Relatório Local Voluntário 2021 de São Paulo – “uma síntese do que se fez na cidade sobre desenvolvimento sustentável no ano passado” na capital paulista, como descreveu a colunista Sônia Racy, do Estadão, que ouviu a secretária a respeito. Frise-se: voluntário.

Com Marta, São Paulo tornou-se uma das poucas cidades do Brasil e do mundo a fazer o relatório, e em troca adiantando-se a obter apoio internacional para projetos como as praças sustentáveis. “Isso não tem retrocesso”, crava. Em julho, a executiva de sete fôlegos pretende liderar uma ‘virada sustentável’ na capital, com ações para engajar o público paulistano em novos avanços ambientais.

A ex-prefeita, que teve bom entendimento com Geraldo Alckmin quando ele era governador e ela era alcaide em Sampa, está politicamente inteira com Lula – e voltou a ter relações institucionais de cordialidade com o PT. Nunca deixou de ser assim. Na última campanha municipal, atuou abertamente pela pré-candidatura de Fernando Haddad, mantendo ao mesmo tempo a antiga amizade com a família Covas. Convidada pelo então prefeito Bruno Covas a somar com seu projeto administrativo, quando o petista Haddad já adotara a estratégia de acumular forças para concorrer ao governo do Estado, agora neste ano, mesmo dentro de um governo municipal de corte centrista, com o prefeito Nunes filiado ao MDB, Marta, por se pautar pelo bom senso e liderar causas de real interesse público, consegue não criar embaraços, exercer um modelo de administração moderno, pela agilidade, e progressista, pelo foco nos desenvolvimento com combate a desigualdades.

Isso é porque Marta é Marta, tem luz própria e uma legião de admiradoras e admiradores não apenas em São Paulo. Tem voto. Ex-ministra da Cultura e do Turismo, quando implantou em esfera nacional ações absolutamente inovadoras como o vale cultura e os pacotes especiais de viagens nacionais para a terceira idade, Marta é uma executiva pública do tipo que o Brasil mais precisa. A serviço, ainda bem, da ampla frente popular em torno da candidatura Lula. Para quem curtiu, tem mais uma: ela é pé quente! (Marco Damiani)