Novo decreto de armas piora o anterior, diz MPF: milícias se fortalecem com ampliação de categorias que podem se armar

BR: A emenda ficou ainda pior que o original. Sob o pretexto de barrar o acesso de civis a fuzis de uso exclusivo das forças de segurança, como previa o decreto de armas original, o segundo texto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, na semana passada, ampliou ainda mais o rol de categorias profissionais que podem portar armas. Isso beneficia diretamente as milícias que, especialmente no Rio de Janeiro, oprimem e exploram populações de bairros populares.

“O novo decreto agravam em vários aspectos as ilegalidades que marcam a medida”, escreveu a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão que integra o Ministério Público Federal, em documento encaminhado ontem ao Congresso.

“O novo regulamento cria condições para a venda em larga escala e sem controle de munições e armas, o que certamente facilitará o acesso a elas por organizações criminosas e milícias e o aumento da violência no Brasil”, afirma o texto do PFDC. No novo decreto, todos os advogados, e não apenas os públicos, passam a poder portar armas, o que aumenta em 1 milhão de pessoas o acesso legal. As milícias e o crime organizado, como se sabe, costumam usar advogados na fachada legal de seus negócios.

Aumentar a violência no Brasil e a opressão às classes populares. Será essa a verdadeira intenção do decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro? Pense.