Nos extremos da direita e da esquerda, PSL e PSOL são as bancadas com votos mais unidos

Os deputados do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, podem se digladiar no WhatsApp e no Twitter, mas no plenário da Câmara têm votado com coesão similar à do PSOL, do bloco de esquerda e de oposição. Em um ranking de coesão nas votações feitas desde a posse de Bolsonaro, considerando as 15 maiores bancadas, PSL e PSOL aparecem empatados em primeiro lugar, seguidos de perto por PT, Novo e DEM.

O ranking de coesão foi feito a partir do chamado índice de Rice, uma métrica utilizada na ciência política para medir a disciplina partidária, ou seja, o quanto um partido costuma se dividir ao votar. O índice vai de 0 (divisão total entre duas facções de tamanho igual) até 1 (atuação consensual).

Da posse até a terceira semana de junho, o PSL praticamente não registrou dissidências, ficando, na média de todas as votações, com índice de Rice 1, o máximo valor possível. Dos 3.277 votos que, em conjunto, os 54 deputados do PSL já registraram desde a posse, 3.179 foram a favor de Bolsonaro e apenas 48 contra – consideradas aqui apenas as votações em que houve orientação do líder do governo.

No ranking de coesão, isso coloca o PSL em situação de empate com o PSOL, partido altamente ideológico e disciplinado ao votar. Também aparecem com alta taxa de coesão o Novo e o DEM, partidos que têm perfil ideológico próximo ao do PSL. As legendas têm os índices 0,96 e 0,95, respectivamente.

O PSDB, principal adversário do PT nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, tem, na gestão Bolsonaro, votado com alta coerência interna (índice de Rice de 0,90) e alto grau de apoio aos projetos de interesse do Executivo (93% de governismo, segundo o Basômetro).

O MDB vive uma situação curiosa. Neste momento, em que o partido não tem vínculo formal com o governo, suas taxas de governismo e de coesão são mais altas ou similares às registradas nos períodos petistas em que a legenda fez parte da base de apoio ao Executivo. Segundo o Basômetro, o MDB, em seu conjunto, votou 92% a favor de Bolsonaro. No segundo mandato de Lula, essa taxa foi de 90% e nas duas gestões de Dilma foi de 81% e 76%, respectivamente. Já o índice que representa a coesão do MDB foi de 0,92 na média desde a posse – nos mandatos petistas, variou entre 0,75 e 0,91.

O PT tinha alto governismo e alta coesão até ser destituído do poder, em 2016. Agora, na oposição, continua com alta coesão: o índice de Rice da bancada petista é 0,98, quase o valor máximo.