Na marca do pênalti, Vélez pode cair para entrada de Onyx na Educação; ‘Não estão dando certo as coisas lá’, julga Bolsonaro sobre crise permanente

Após dizer em entrevista a TV Bandeirantes que “não estão dando certo as coisas lá” e a noite desmentir pelo Twitter a demissão do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodrigues, o presidente Jair Bolsonaro reforçou que a troca do titular do MEC é questão de dias.
Nos bastidores, a substituição de Vélez pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, é dada como certa.
Em audiência na Câmara dos Deputados, Vélez disse que está firme no cargo. “Muitos pediram para eu sair, mas não vou sair. Porque estou gostando muito do cargo. O cargo é um abacaxi do tamanho de um bonde. Mas topei o convite porque quero devolver ao meu País o que ele fez por mim”, disse, com voz embargada.
Os militares do primeiro escalão do governo também teriam retirado o apoio ao titular do MEC após a exoneração do presidente do Inep, Marcus Vinicius Rodrigues, que seria um indicado do grupo dos generais. Especula-se que a troca de Vélez por Lorenzoni ajudaria o Governo ainda a resolver os problemas com a articulação política, que não avança com o titular da Casa Civil.
Durante a audiência os ataques dos deputados ao Ministro reforçavam seu isolamento. O deputado federal Túlio Gadelha (PDT-PE) afirmou que Vélez dava um péssimo exemplo para os alunos. “O senhor veio para a prova sem estudar. Apresentou uma lista de desejos”, disse. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) chegou a citar o regulamento da Câmara para evitar que o ministro repassasse a palavra para seus secretários. “Se o senhor não souber as respostas é só dizer”, completou. Mais tarde, Vélez retrucou, dizendo que não é obrigação de ministro saber de tudo “de cor e salteado.”
O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) foi o primeiro a pedir sua renúncia. Em resposta, Vélez afirmou: “Não renuncio, não faz sentido. Só apresentaria minha renúncia ao presidente República. Ou ele me demite…” O deputado do PSOL interrompeu a resposta do ministro e indagou: “Falta muito?” Parte dos presentes riu. Túlio Gadêlha (PDT-PE) disse desejar que Vélez permanecesse no cargo. “Em um governo que pretere Paulo Freire a Olavo de Carvalho, prefiro que o senhor não saia do MEC. Tenho medo de imaginar quem pode lhe suceder.”